O candidato da coligação PSDB-PFL à presidência da República, Geraldo Alckmin, acusou nesta quarta-feira (18) o PT e os partidos aliados ao governo de "privatizarem" ministérios, promovendo em órgãos públicos um "aparelhamento" partidário. Ele fez as declarações durante debate sobre seu programa de governo, na sede do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Brasília. "O que se sabe, pela imprensa, é só a ponta de um iceberg. Esses ministérios… é inacreditável a privatização que foi feita do aparelho do Estado brasileiro pelo PT e seus aliados. Uma coisa triste. O Brasil regrediu, do ponto de vista de gestão pública e do bem comum", afirmou Alckmin, ao discorrer sobre controle de gastos na administração pública.

O candidato disse também que se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito, o clima de disputa para 2010 começará no dia seguinte à posse. "Se o presidente Lula for reeleito, (o governo) acaba antes de começar. No dia seguinte, começa a discutir 2010. Vamos pensar no futuro. Por que perder quatro anos? Nosso tempo é da mudança, da velocidade", afirmou ao comentar sobre o processo de reeleição, experiência que já viveu no governo de São Paulo.

Alckmin abriu a sabatina com um longo discurso enfatizando a necessidade de crescimento econômico e criticou a política fiscal do atual governo, afirmando que é ruim, e que a política monetária é muito dura. Para Alckmin, é uma política que desindustrializa em um país que precisa gerar emprego. "O mundo cresce com uma taxa de investimento e no Brasil ela (a taxa de investimento) cai. Está embicando", afirmou.

Mais uma vez, ele acusou o PT de "privatizar" o estado ao aparelhar as empresas públicas. "Eu vou agir firme na questão fiscal e agir firme no primeiro dia do ano, fazer as reformas estruturantes que precisam ser feitas.

Na sua opinião, a política de juros está levando a uma armadilha fiscal grave "porque está torrando dinheiro e não consegue segurar o câmbio uma vez que não age na raiz".

Ele destacou a questão ética, afirmando que houve um verdadeiro descalabro de natureza ética. "Os fatos não foram isolados nem pontuais. Foram continuados", disse ele, acrescentando que o governo não aprendeu com esses episódios. "Os fins nunca justificam os meios", disse.

Ressaltou que há uma promiscuidade entre o público e o privado, entre o partido e o governo. "Dessa mistura indevida, temos como conseqüência a ineficiência e a corrupção. Precisamos recuperar o estado como um prestador de serviços", acrescentou.

Fez uma análise sobre a qualidade dos serviços públicos citando por exemplo que há 2,5 milhões de crianças de 7 a 14 anos fora da escola, sendo que 1,5 milhão delas estão no Nordeste. Além da evasão escolar, enfatizou o fato do aumento do trabalho infantil no governo Lula.

Alckmin fez também uma radiografia sobre a segurança pública e criminalidade. "Não tem um país que não tenha combatido fortemente a criminalidade que não tenha tido o peso do governo federal".