O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse hoje que a preocupação do mercado com uma suposta demora do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, em anunciar a composição do novo ministério é “especulação, pretexto para oscilação de mercado”.

Alckmin voltou a afirmar que Lula deve montar o ministério “sem pressa”, mas destacou que a grande quantidade de partidos e a tarefa de contentar a todos na composição do ministério é um fator que irá dificultar a governabilidade.

“Não se deve ter pressa, montar o ministério na correria”, aconselha Alckmin. “A demora é um pretexto para justificar as oscilações de mercado, porque não há base para isso, não há motivo real, é especulação mesmo”, disse Alckmin referindo-se a excitação do mercado.

Para Alckmin, com o fim do governo Fernando Henrique Cardoso o Brasil encerra um ciclo importante e parte para uma nova etapa, sob a administração de Lula. “É um novo País, que se modernizou  está competitivo, criou uma rede de proteção social. Um País que avançou muito num período de oito anos e agora vive um novo momento, um momento de esperança, esperança que advém da eleição e acho que temos obrigação de ajudar para que as dificuldades possam ser superadas”, afirmou o governador.

As dificuldades, avalia Alckmin, não são do governo que está assumindo mas sim inerentes ao País. Nesse sentido, Alckmin reafirmou que o governo paulista ajudará no que for possível a realizar “as reformas que o País precisa para eliminar os gargalos ao desenvolvimento brasileiro”.

Um desses entraves, para Alckmin, é a questão da reforma tributária. Ele destaca que nesse setor o importante é simplificar o modelo tributário para diminuir a sonegação e reduzir o custo Brasil. “O que se deseja com a reforma tributária não é que alguns ganhem e outros percam, ninguém quer aumentar ou diminuir carga tributária. O que se quer é ter soma zero. Substituir impostos em cascata por impostos de valor agregado, que não prejudicam a competitividade dos produtos, principalmente os de cadeia longa”, explicou.

Alckmin sugeriu que o modelo do Simples paulista poderia ser adotado na área federal. “Já existe o Simples federal, mas o que é diferente aqui em São Paulo e que o governo federal deveria copiar é manter o benefício da isenção quando se troca de faixa de faturamento”, disse o governador paulista. “Quando o benefício é carregado de uma faixa de faturamento para outra, isso vale para todas, não se estimula a economia informal nem se inibe o crescimento.”

Sobre o encontro de Lula com o presidente americano George W. Bush, Alckmin avalia que a reunião deve ser positiva. “É uma conversa necessária e importante, de grandes atores do cenário mundial, principalmente quando se discute acordos com blocos como a União Européia, a Alca, o Mercosul. Mas certamente é um encontro inicial e depois terá outros desdobramentos.”

Na avaliação de Alckmin, o fato de Bush ter recebido um presidente eleito mas não empossado, mostra a importância do Brasil e sua inserção no cenário mundial. “Esse é um dos méritos que devemos reconhecer ao presidente Fernando Henrique, é o respeito que o País tem hoje ante as demais nações, conquistado pelo seu peso próprio, sua população, seu PIB, avanços tecnológicos e empresas competitivas. Acho que hoje vivemos esse momento. O Brasil é importante mesmo e tem de ser reconhecido como tal”, disse Alckmin.