Rio de Janeiro (AE) – Braço-direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e maior atacadista do Comando Vermelho, o traficante Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinho Niterói, foi encontrado morto hoje (9) em sua cela na penitenciária de Bangu 3. Marquinho Niterói, de 40 anos, morreu por enforcamento. Seu corpo estava enrolado num lençol. A Secretaria de Administração Penitenciária informou que sete presos dividiam a cela com Marquinho Niterói. Eles foram ouvidos pelo delegado Nerval Goulart, da 34.ª Delegacia de Polícia (Bangu), que está conduzindo as investigações sobre o assassinato.

Marquinho Niterói foi preso em 1994. Cumpriu pena de três anos e ganhou a liberdade condicional em fevereiro de 1997. Menos de 10 meses depois, foi preso novamente, também por tráfico de drogas. A pena dele estava prevista para terminar em 2017.

De acordo com a inspetora Marina Maggessi, Marquinho Niterói nunca teve pontos de venda de drogas. "Ele sempre foi matuto (atacadista). Era o maior do CV. Todo o mundo devia dinheiro para ele", informou a policial.

Marquinho Niterói estava preso em Bangu 1 e foi transferido para Bangu 3, após a rebelião de 11 de setembro de 2002. Na ocasião, o traficante Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, foi morto. Na cela de Niterói, a polícia apreendeu celulares, maconha e uma fotografia da atriz Viviane Araújo, mulher do cantor Belo, supostamente autografada para um traficante.

Em escutas telefônicas feitas com autorização judicial nos celulares usados pelo criminoso na prisão, a polícia descobriu que ele chegava a negociar uma tonelada de cocaína pura por mês. Niterói e Beira-Mar também foram investigados por montar mini-refinarias da droga no interior do Estado.

As gravações mostraram que Niterói foi um dos organizadores da "segunda-feira negra", em 30 de setembro de 2002, dia em que o comércio do Rio, Niterói e São Gonçalo foi obrigado a fechar por ordem do tráfico. "É pra gente mostrar pra eles que nós tem (sic) inteligência, que nós pedimos atenção e jogaram os irmãos lá no calabouço", dizia o criminoso em referência ao Batalhão de Choque, para onde foram levados Fernandinho Beira-Mar, Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP e Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, após o assassinato de Uê.