A base governista quer que o governo e, em especial, o Partido dos Trabalhadores (PT) mudem a relação com os partidos aliados. "Se o PT não compreender a necessidade de governar com todos os partidos da base e entender que a presença de outros partidos, outras forças políticas, é fundamental para a governabilidade, isso afeta, como já está afetando, o desempenho do governo no Congresso Nacional", disse o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Renato Casagrande, depois de reunião dos líderes da base com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre reforma tributária.

Segundo Casagrande, a idéia não é "reabrir a reforma ministerial", mas que o governo passe a respeitar as características de cada aliado. "Nós temos de dizer que o governo, para que possa chegar ao final com sucesso, tem que ser um governo que tenha pluralidade política. O governo não é um governo só do PT", disse o deputado. Ele informou que a base aliada pretende reunir-se na próxima semana sem a participação do PT.

Questionado sobre a posição da base, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), discordou do encontro sem seu partido. "Não acho que é uma atitude correta excluir qualquer partido para que se faça uma articulação em paralelo. Na minha opinião, todos os partidos da base aliada têm que ter tratamento igual", afirmou.

Os dois parlamentares foram também questionados sobre uma possível saída do ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, do governo. Segundo Casagrande, o assunto não foi discutido na reunião com Palocci, mas afirmou que a base não concorda com a possibilidade de Rebelo deixar o cargo. "Nós achamos que o método, como é feito de fora para dentro, de enfraquecer a posição do ministro, é um método que nós não respeitamos e não queremos", disse.

Chinaglia lembrou que a decisão de trocar o comando do ministério é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O PT, ao analisar a coordenação política do governo, não questiona a capacidade do ministro Aldo, nem tampouco questiona o trabalho que ele vem realizando", afirmou. E acrescentou: "Eu ajo no sentido de esvaziar esse debate que não ajuda o governo, nem no Congresso, nem no Executivo".

Sobre o veto do presidente Lula ao reajuste salarial de 15% para os servidores do Legislativo, Chinaglia disse que o governo vai buscar a construção de um plano de carreira para os funcionários no Congresso Nacional.