A aceleração no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho (-0,21%) para julho (0,19%) ocorreu por causa de uma pressão localizada nos combustíveis e nos alimentos, destacou a coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos.

Segundo ela, a diferença de 0,40 ponto porcentual nas taxas de um mês para o outro é significativa, mas "a situação se mantém mais ou menos a mesma" na inflação em julho em relação ao mês anterior. O argumento de Eulina é que a deflação de junho foi "extremamente puxada" pela queda no álcool combustível e nos alimentos, e o que ocorreu em julho foi apenas uma aceleração nessas "duas exceções".

A coordenadora observou que vários itens pesquisados continuam com queda de preços e tarifas importantes nas despesas das famílias, como energia elétrica (-0,73%) e telefone (-0,27%), tiveram deflação em julho. Segundo ela, o grupo transportes (0 37%) subiu puxado pelo álcool combustível (1,04%), gasolina (0 81%), ônibus interestaduais (6,64%) e ônibus intermunicipais (3 14%).

O álcool reverteu uma queda de 8,77% em junho porque os usineiros estão atraídos pela alta do preço internacional do açúcar e priorizando a sua produção ao combustível nas usinas. A gasolina, com parcela de 20% de álcool em sua composição, acompanhou o aumento.

Alimentos

No caso dos produtos alimentícios (0,09%), ela observou que após a queda de 0,61% em junho, esse grupo foi puxado por reajustes nas frutas (8,14%) e no arroz (4,33%), embora haja uma longa lista de outros alimentos que permanecem em baixa.

Outro item a puxar a inflação no mês passado foi o salário dos empregados domésticos (1,18%). Neste caso, o aumento reflete o reajuste do salário mínimo, já que o IBGE calcula a variação de preços desse item pela Pesquisa Mensal de Emprego, que registra as alterações com defasagem maior do que o IPCA, por causa do calendário de divulgação da pesquisa.