A alta dos preços do álcool hidratado e anidro na semana passada não surpreendeu técnicos do Ministério da Agricultura. "O presidente Lula sabia que as cotações poderiam subir mais um pouco", contou o diretor do Departamento do Açúcar e Álcool da Secretaria de Produção e Agroenergia da pasta, Ângelo Bressan. Na última quinta-feira, o presidente chamou o ministro Luís Carlos Guedes Pinto no Palácio do Planalto e cobrou esclarecimentos sobre os aumentos sucessivos no preço do combustível.

No encontro, o ministro informou ao presidente, segundo Bressan, que a tendência era de novas altas. "Mas as cotações não vão subir muito mais do que isso", garantiu o diretor. Na avaliação do Ministério, quatro fatores deram suporte às cotações. O primeiro fator é o preço do álcool relativamente favorável em comparação com o da gasolina. O crescimento da demanda decorrente do período de festas de fim de ano e as férias escolares, o incremento da frota de carros bicombustíveis e o apagão aéreo, o que levou a população a optar pelo transporte rodoviário, também foram citados.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o preço médio pago ao produtor no Estado de São Paulo, sem impostos e sem frete, fechou a semana em R$ 0,86799 para o litro do álcool hidratado (usado nos carros flex) e em R$ 0,87802 o litro do anidro (misturado na gasolina), o que corresponde a alta de 3,0% e 1,4%, respectivamente, em relação aos R$ 0,84299 e R$ 0,86591 da semana anterior.

Apesar da variação positiva, o diretor ressaltou que "não há crise" e que a oscilação é normal para o período de entressafra. A safra 2007/08 de cana-de-açúcar da região centro-sul só começa a ser esmagada em abril. Ele lembrou ainda que as cotações atuais são 20% a 25% inferiores às praticadas no mesmo período do ano passado, reflexo da safra recorde e do bom volume estocado. Para Bressan, a situação atual não justifica uma intervenção por parte do governo.

Na sexta-feira, Guedes Pinto ameaçou intervir no mercado se o preço do álcool subisse demais. A única alternativa do governo é reduzir de 23% para 20% o porcentual da mistura de álcool na gasolina. A medida, que precisa de autorização do Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima), elevaria a oferta de álcool e forçaria uma queda no preço. Bressan garantiu que não há reunião do Cima marcada para os próximos dias. Mas se a tendência de alta persistir, uma reunião extraordinária pode ser convocada.