Rio – A "principal novidade" da indústria em 2005 foi o crescimento acima da média dos bens de consumo semi e não-duráveis (alimentos e bebidas), explica Silvio Sales, economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A categoria, com expansão acumulada de 4,6%, superou a média de crescimento da indústria em geral (3,1%), o que não ocorria desde 1999.

Os bens de consumo duráveis (automóveis, celulares, eletrodomésticos) também foram destaque e o segmento de veículos automotores, com aumento acumulado de 6,8% na produção no ano, representou o mais forte impacto para a produção da indústria em geral em 2005.

No caso dos não-duráveis, Sales, assim como o Iedi, atribui o bom desempenho especialmente ao aumento da massa salarial. Para o economista do IBGE, houve "aumento da massa salarial e da oferta de crédito que, depois de atender à demanda por duráveis, teve efeito sobre os não-duráveis". Segundo ele, o aumento dos preços dos alimentos abaixo da inflação também favoreceu o desempenho dos não-duráveis.

Já os duráveis, impulsionados pelas exportações e o crédito, mantiveram, mesmo com menor ritmo de crescimento, um efeito importante sobre a produção industrial em 2005, como já havia ocorrido no ano anterior. O impacto dessa categoria foi ainda mais forte em dezembro, quando houve crescimento de 17,6% ante novembro.

Nessa base de comparação ante mês anterior, o desempenho dos duráveis foi puxado por veículos automotores, celulares, e eletrodomésticos da linha marrom (TV, rádio e som). Esses produtos representaram também o principal impacto na expansão de 14,1% nessa categoria ante dezembro de 2004.

No acumulado de 2005, a produção de duráveis cresceu 11,4% ante o ano anterior – em 2004 o aumento tinha chegado a 21,8% -, com aumento na produção de automóveis (13,1%), telefones celulares (43,9%) e televisores (23,1%).

Sales destacou que, para os bens de consumo e a indústria em geral, "o crescimento de 2005 ocorreu por causa da sustentação do desempenho exportador associado à melhora no mercado de trabalho com aumento da massa salarial e evolução favorável dos preços de não-duráveis (especialmente alimentos)".

Ele acrescentou que o aumento da oferta de crédito à pessoa física também foi um fator de estímulo diretamente aos bens de consumo duráveis e indiretamente aos não-duráveis.