O preço das hortaliças aumentou além do previsto nos meses de inverno. Os principais produtos que tiveram valorização são a cebola, a batata e o tomate. Para Maurício Lunardon, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, responsável pelo setor de olericultura, estes aumentos, considerados abusivos pelos consumidores, têm explicação.

No caso da cebola, as fortes chuvas do início do ano prejudicaram fortemente a produção do Nordeste (Bahia e Pernambuco), principal responsável pelo abastecimento do mercado nacional durante o período de maio a agosto. “A cebola argentina também entra nessa época e costuma ser valorizada em função da qualidade, embora, por lá, também as condições climáticas não tenham sido favoráveis”, explicou Lunardon.

Porém, o técnico acredita que a partir deste mês a cotação do produto sofra redução, pois começa a entrar no mercado a cebola produzida em São Paulo, onde a cultura teve um bom desempenho.

Quanto à batata, na safra anterior o preço de comercialização foi muito baixo e na safra atual, com reajustes nos preços dos insumos, subiram os custos de produção. Para Maurício Lunardon, isso desestimulou os produtores a plantar, resultando numa produção menor.

Já com relação ao tomate, um dos vilões da cesta básica no mês de agosto, foram vários os fatores que contribuíram para que os preços ficassem altos. No inverno a área plantada no Paraná é reduzida pela metade. Em função da menor oferta, aumenta a dependência de produto vindo de fora, principalmente de São Paulo e de Minas Gerais, sendo que nestas duas regiões ocorreram problemas climáticos e com ataques de pragas, encarecendo ainda mais o tomate.

O agrônomo do Deral ressaltou que a agricultura é uma atividade altamente dependente do clima, que tem influência sobre a oferta dos produtos e em menor escala, sobre a demanda. “Cabe ressaltar que o produtor rural é um tomador de preço e que tem pouca influência sobre o valor do produto. O mercado agrícola mais do que qualquer outro, é regido pelas leis de oferta e demanda”, concluiu.