O alto comando da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reunido desde às 15 horas de hoje, no Hotel Sofitel, em São Paulo – para discutir, segundo o coordenador geral da campanha, deputado federal José Dirceu (SP), “estratégia para o debate de amanhã” -, insistiu em tratar quase todos os assuntos num tom conciliador, que deverá marcar a reta final da campanha e o ínicio de um período de transição, caso Lula vença as eleições domingo.

Para Dirceu, nem o líder do Movimento dos Sem Terra (MST) João Pedro Stédile, que afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País que os movimentos sociais vão cobrar urgência de Lula nas reformas, e nem os adversários tucanos podem se constituir “em um problema”, caso o petista seja eleito domingo. “Movimento social não atrapalha governo nenhum se houver diálogo e capacidade de negociação. Manifestação, greve e protesto não podem ser problemas”, disse Dirceu, antes de mandar um recado: “O problema existe quando não se negocia, quando se parte para repressão, ou quando se quer desrespeitar a lei ou se quer fazer a violência”.

Para Dirceu, os movimentos sociais têm o “direito de se manifestar”, mas tem também a obrigação de “levar em conta” o cenário político e econômico que o País atravessa. “O Brasil está em crise e a situação internacional é grave”, avaliou ele. Mas, ao mesmo tempo, Dirceu antecipou que as reivindicações de que fala Stedile estarão no centro das principais ações de um eventual governo Lula. “A reforma agrária, o combate à pobreza e a questão da segurança pública são as três agendas imediatas para o País”, disse ele.

Dirceu, como o coordenador do programa de governo de Lula, o prefeito licenciado de Ribeirão Preto, Antonio Palocci Filho, insistiu que evitar a crise de “já ganhou”, nesta reta final de campanha, é um sinal de respeito “tanto ao eleitor, quanto ao adversário”.

“Já perdemos muitas eleições, sabemos que é muito importante o respeito de quem foi vitorioso, sabemos o quanto é importante a mão (do adversário) estendida para o diálogo”, afirmou Dirceu.

Dirceu negou que este tom conciliador aponte para qualquer estratégia de aliança com os tucanos já no início de um eventual governo petista. “Isso é uma outra história”, disse. “Mas esta campanha eleitoral serviu para que a sociedade tomasse conhecimento da grande crise que atravessamos, e até nosso adversário ajudou a mostrar isso”, afirmou ele.

Além de Dirceu e Palocci, o líder do PT na Câmara, João Paulo Cunha, o secretário geral do PT, Luiz Dulce, o coordenador da agenda de Lula, Gilberto Carvalho, o marqueteiro Duda Mendonça e José Graciano também participaram da reunião.