As Secretarias da Justiça e da Educação encerraram nesta terça-feira (24) o primeiro ciclo do projeto piloto sobre Formação Político-Pedagógica para alunos da rede pública estadual de ensino de Curitiba. ?É um projeto que começou com a proposta de repensar o papel da escola diante das políticas sociais e valores humanos?, explica a pedagoga e idealizadora do projeto, Cristina Cardoso. ?Em função dos resultados positivos deste primeiro ciclo, a proposta deverá ser ampliada para todo o Estado?.

O evento foi realizado no auditório da Secretaria da Justiça com participação de alunos de cinco colégios estaduais, que representaram as demais escolas pertencentes ao Núcleo Regional da capital. O curso, que tem a duração de um ano é coordenado por um professor pedagogo e, embora não faça parte das disciplinas curriculares, abrange todas as classes, pois através dos representantes de turmas são abordados diversos temas relativos às políticas sociais.

Segundo a pedagoga, a inspiração para realização do projeto surgiu  a partir de um estudo da obra de Gramsci ? Cartas do Cárcere ? em que o autor escreve cartas para seu companheiro de partido na política italiana, Togliotti, e nelas trata da constante necessidade de formação de novos quadros políticos. ?Foi neste momento em que comecei a questionar qual seria o papel da escola para essa possibilidade?, afirma.

Além do escritor italiano, Cristina também se baseou nas obras ?Silêncio dos Vencedores?, do professor Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e na escritora Rita Khel, em ?A juventude como sintoma da cultura?.

Exemplo

Para o diretor do Colégio Estadual Rodolfo Vanineli, Douglas Aparecido da Silva, o seu espaço escolar é um exemplo de que na prática o projeto está dando certo principalmente com as atitudes demonstradas pelos alunos envolvidos. ?Há alguns anos atrás os professores tinham medo de assumir aulas nesse colégio, por ser uma escola da periferia, onde ainda se convive com muita violência. Esse projeto conscientizou de tal forma os alunos, que hoje todos são engajados nos outros diversos projetos da escola?, disse. Ele acredita que a facilidade surgiu quando passou a dar mais atenção àqueles alunos que pareciam menos interessados.

Conforme o pedagogo Eduardo Freire dos Santos, do Centro de Ensino Profissional, após a escola ter adotado o método coercitivo de Michel Foucault, que ao contrário daquele diretor que impõe o poder pelo medo, divide esse poder e as responsabilidades com o seu coletivo. ?Na verdade essa é a efetivação da gestão democrática?, completa Cristina.