Às vésperas do segundo turno, a candidato do PDT ao governo do Paraná, Álvaro Dias (PDT), partiu para o ataque contra o candidato do PMDB, Roberto Requião. Antigas imagens de Requião foram “ressuscitadas” e estão sendo usadas para desacreditá-lo perante o eleitorado. Os coordenadores da campanha peemedebista disseram apenas que não utilizarão o mesmo método. Na última pesquisa do Ibope, Requião aparece com 46% dos votos, enquanto Álvaro tem 42%.

Os primeiros ataques apareceram nas pequenas inserções diárias. A morte do líder sem-terra Diniz Bento da Silva, o Teixeirinha, por policiais militares, durante o governo de Requião (1991-1994), voltou à tona com a apresentação de recortes de jornais. Logo depois aparece um vídeo, sem data, em que Requião refere-se a uma pessoa não identificada: “A sorte dele é que não estou armado, mandava uma bala de 38 na cabeça”. A pedido do PMDB, a Justiça Eleitoral determinou hoje a retirada dessas inserções, por entender que “faz uso de recursos técnicos proibidos”.

Collor e o PT

Hoje, o programa de Álvaro mostrou Requião, provavelmente em 1990 ou 1991, afirmando que o deputado federal Basílio Vilani, presidente regional do PSDB, dava sustentação ao presidente Fernando Collor de Mello no Congresso Nacional. Requião acusa Vilani, identificado por ele como sócio do José Eduardo Vieira (ex-senador e ex-controlador do Bamerindus), de tentar “comprar parlamentares para manter a quadrilha no poder”. Vilani é um dos que apóiam Requião no segundo turno.

Também foi apresentada parte de uma entrevista concedida por Requião, em data não identificada, em que tece críticas ao PT, que hoje o apóia e que é por ele apoiado. “O seu radicalismo, a sua irascibilidade, a sua intolerância estão desgastando e eliminando qualquer possibilidade de a gente pensar no PT como uma alternativa de poder”, diz Requião.

No horário do candidato do PMDB, a âncora deixou apenas uma mensagem: “O jogo sujo voltou, de novo fogem do debate, da discussão de propostas, é a velha tática do desespero. Diante da derrota anunciada pelas pesquisas, reagem com agressões. Já usaram isso contra o Lula, tentaram transformá-lo num bicho-papão e, claro, não conseguiram. Aqui no Paraná não está sendo diferente, tentam fazer o mesmo com Requião. Também não conseguirão. Aos ataques vamos continuar respondendo com nossas propostas.”

Transição

O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), deve convidar o sucessor, já na segunda-feira, para uma reunião no Palácio Iguaçu, onde será apresentado à equipe de transição. Fazem parte dessa equipe os secretários Guaraci Andrade (Casa Civil), Ingo Hübert (Fazenda), José Cid Campêlo Filho (Governo) e Ricardo Smijtink (Administração).

Segundo Lerner, o objetivo é que o novo governador tenha todas as informações necessárias para fazer “uma administração melhor que a nossa”. “O sucessor tem a obrigação de ser melhor que o antecessor”, disse.