A AmBev anunciou hoje (24) que encerrou 2005 com lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, 33,1% acima do registrado em 2004, enquanto a receita líquida passou de R$ 12 bilhões para R$ 15,9 bilhões na mesma base de comparação. O Brasil respondeu por 68,5% do negócio.

O diretor-financeiro da AmBev, João Castro Neves, atribuiu o resultado ao aumento no volume de vendas de cerveja no mercado brasileiro, redução de custos, aumento das vendas dos produtos premium (como Bohemia, Original e Stella Artois, em média 15% mais caras), e a decisão da empresa de reajustar o produto em 5% – abaixo da inflação de 5,7% de 2005, o que estimulou vendas.

Castro Neves negou que o aumento de preço tivesse o objetivo de abrandar perdas cambiais decorrentes de operações de hedge (uma espécie de seguro contra variações em relação ao dólar) feito pela empresa com a moeda americana cotada a R$ 3,00, enquanto na média do ano ficou em R$ 2,50, que teria impacto favorável nas importações de insumos. A operação de hedge teve impacto negativo no resultado. Ainda assim, foi o melhor resultado da história da AmBev – e o primeiro consolidado após a fusão com a belga Interbrew, que deu origem à holding InBev, em 2004.

Segundo Castro Neves, a AmBev deve realizar este ano investimentos entre US$ 500 milhões e US$ 550 milhões, dos quais US$ 100 milhões na operação da argentina Quimsa (cervejaria que produz a Quilmes e a Brahma), outros US$ 100 milhões na Labatt, que constitui sua operação no Canadá e EUA, e outros US$ 350 milhões no Brasil e países da América do Sul, com destaque para Peru e Republica Dominicana. Ele ressaltou que hoje a marca Brahma é líder no Paraguai.

Numa decisão surpreendente, Neves disse que, a partir de agora, a empresa não divulgará mais os investimentos em marketing. A expectativa do mercado publicitário é de que a empresa mantenha a verba em torno de R$ 400 milhões. Em 2004, foi de R$ 370 milhões.

As operações de cerveja no Brasil, disse Neves, registraram crescimento de 8,2% nos volumes totais de venda da AmBev em 2005 o melhor desempenho da empresa desde 1995, enquanto a de refrigerantes avançou 6%, o melhor desempenho desde 2001. "O resultado reflete a maior participação de mercado da companhia e também o crescimento do mercado brasileiro como um todo no ano passado, estimado em 6,4% pelo instituto ACNielsen".

Em dezembro, a AmBev exibia uma fatia do mercado brasileiro de cerveja de 69,4%, ante 12,2% do Grupo Schincariol e 8,7% da Kaiser. Na média do ano, a AmBev ficou com 68,3% em 2005, um aumento de 2,1 pontos percentuais em relação a 2004.

A América Latina Hispânica (HILA) encerrou o ano com crescimento de 11,8% nos volumes e de 8,2% na receita, que totalizou R$ 2,1 bilhões. O segmento HILA é composto pelas operações na República Dominicana, Guatemala, Equador, Peru, Venezuela, Nicarágua e El Salvador, além de Quinsa (Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai), empresa na qual a AmBev detém 59,2% de participação.