Defensor sem restrições do fortalecimento das negociações entre grandes blocos econômicos, o recém empossado chefe da Comissão Européia no Brasil, o embaixador Alberto Navarro, admite a possibilidade de a América Latina ficar em segundo plano no próximo ano, quando entrarão para o grupo europeu dez novos países. O contexto mundial, com as eleições norte-americanas, as trocas de comissários da UE e a reconstrução do Iraque podem ser outros fatores que desviarão os holofotes da América Latina no que se refere aos acordos diplomáticas e comerciais.

?O Brasil não tem seu mercado fechado, mas é preciso que se abra mais ao comércio exterior?. Para o embaixador o País tem muito ainda a expandir. ?Existe aqui um grande mercado consumidor e um bom Produto Interno Bruto, mas faltam acordos de livre comércio com grandes potências econômicas, pois esse é o caminho para o desenvolvimento dos povos?, defendeu Navarro em um sua primeira apresentação pública ao assumir seu novo posto.

Subsídios agrícolas

Respondendo às críticas do governo brasileiro sobre os pesados subsídios e incentivos a agricultores e exportadores europeus, Navarro é enfático quando questionado sobre o protecionismo. ?Temos o comércio mais aberto do mundo, prova disso é que a União Européia é a maior importadora agrícola e, das compras que faz no Brasil, 60% entram em nosso território sem tarifação?, afirma.

Apesar de sua argumentação, Navarro não deixou claro se a União Européia vai a fazer concessões nessa área já na próxima reunião da Organização Mundial do Comércio, que acontece em Genebra no próximo mês. Sem comentar explicitamente as direções do política exterior empregada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, ele aposta na ?vontade política em negociar? como caminho para o sucesso do próximos encontros da OMC.

Embora o Brasil represente 1,7% do comércio da União Européia, o embaixador vê com preocupação o fato de o País haver reduzido em cerca de 10% o volume de compras. ?Neste momento, a balança comercial é favorável ao Brasil em mais de dois bilhões de euros, o que é bom contabilmente, mas pode representar grandes perdas para o desenvolvimento brasileiro?, advertiu o novo representante da União Européia em Brasília.


Negociações em bloco

Exemplificando como o desempenho do País poderia ser melhor, Navarro citou o México que, apesar de ser um país em desenvolvimento como o Brasil, tem uma performance duas vezes melhor no mercado externo, por participar do Acordo de Livre Comércio da América do Norte, o Nafta.

?Depois de a Espanha entrar para a União Européia, aumentou seu comércio em dez vezes?, disse o diplomata que defende sem restrições o fortalecimento do maior bloco econômico do mundo, a UE. Espera-se que em breve mais 430 milhões de pessoas integrem o bloco, com a entrada de dez novos países.