O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou nesta segunda-feira (30) que os presidentes Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva têm uma "amizade pessoal e confiança à prova de intrigas, de zombarias e de mentiras".

Após uma visita oficial ao chanceler Celso Amorim, no Palácio do Itamaraty, Maduro afirmou que a amizade e a confiança permitem aos dois líderes chegar a posições comuns sobre os temas da Comunidade Sul-Americana de Nações (Unasul), como a questão dos biocombustíveis. Também é com base na amizade e na confiança que os países poderão chegar a um consenso sobre o objetivo e o formato do Banco do Sul, um projeto caro ao governo de Chávez. "Queremos criar um instrumento próprio, que acabe com o saque financeiro e a usura do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, e romper com as amarras da escravidão", disse Maduro.

O chanceler desembarcou em Brasília às 15 horas, com cinco horas de atraso em relação ao previsto. O encontro com Amorim durou apenas uma hora. Os dois trataram especialmente das questões ligadas à integração energética sul-americana e de parcerias na área de petróleo entre Brasil e Venezuela.

Segundo Maduro, a "grande fortaleza" da integração sul-americana nos próximos 100 anos, será a estabilidade energética. Entre os projetos em curso entre o Brasil e a Venezuela está a parceria entre Petrobras e a venezuelana PDVSA para exploração de petróleo extra-pesado na região do rio Orinoco e para a construção da Refinaria Abreu de Lima, em Pernambuco.

O chanceler reforçou a idéia de Chávez, apresentada na recente Cúpula Energética Sul-Americana, em Isla Margarita (Venezuela), de comprar toda a produção de etanol do Brasil. Atualmente, a Venezuela acrescenta 10% de etanol à gasolina, no consumo interno, e planeja exportar gasolina já com essa mistura, no futuro.