O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, declarou esta manhã que o Brasil e a Bolívia não podem se tornar escravos do prazo fixado no decreto de nacionalização dos setores de gás e petróleo – que definiu o dia 28 de outubro como a data final das negociações entre a Petrobras a Yacimientos Petrolíferas Fiscales de Bolívia (YPFB). Ele disse que o Brasil não pediu à Bolívia a prorrogação do prazo, mas defendeu que é preciso ter uma boa negociação, que culmine em um acordo benéfico para os dois lados.

O ministro informou que, há cerca de dois dias, manteve uma conversa por telefone "amigável e cordial" com o ministro da Presidência (Casa Civil) da Bolívia, Juan Ramon Quintana, e que ontem conversou sobre outros temas com o chanceler David Choquehuanca. Amorim relatou que as conversas giraram em torno da necessidade de ambos os países construírem uma relação estratégica e de cooperação, e que esses objetivos não podem ser prejudicados por uma negociação apressada.

Ele ressaltou que essas argumentações do governo brasileiro não estão relacionadas com o período eleitoral no País, embora acredite que a oposição deva explorar o tema. "Estamos dialogando em defesa dos nossos interesses, mas não vamos fazer nenhuma ameaça", afirmou. "É fácil ser truculento com os fracos e submissos com os fortes", completou o ministro, depois de participar da abertura do seminário sobre os 61 anos das Nações Unidas.

Amorim reafirmou que o Brasil não vai aceitar decisões unilaterais e arbitrárias da Bolívia, caso ambos os lados não cheguem a um acordo até o próximo sábado. Se vier a cumprir à risca o decreto de nacionalização, o governo boliviano deverá banir a Petrobras das atividades nos setores de gás e petróleo, caso não se chegue a um acordo.