Brasília – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defendeu nesta terça-feira (24) durante seminário em comemoração dos 61 anos de criação da Organização das Nações Unidas (ONU) mudanças no Conselho Permanente de Segurança do organismo internacional. ?O Conselho de Segurança precisa ser reformado. O mundo mudou de maneira radical, o número de países se multiplicou por quatro, continentes inteiros passaram a ter representação na ONU. Então, não é possível ter mais um Conselho de Segurança com a estrutura de 1945?, afirmou Amorim.

Segundo o chanceler, há dois aspectos fundamentais que dificultam as reformas: o funcionamento e a composição. ?Na questão do funcionamento, o problema central é o veto, que não vai ser resolvido rapidamente, não será nessa década?.

O ministro lembrou que os membros do conselho só podem votar sim, abstenção ou veto. O ministro defende revisão nas votações.

?Um membro do Conselho de Segurança não pode votar não sem estar vetando, com isso, talvez estejamos tirando alguma possibilidade, que por uma questão de princípio ou procedente, por exemplo, um país queira votar não, mas não queira vetar?, argumentou. ?Uma pequena reforma, com a mudança de uma certa interpretação poderia permitir, em um caso que ele achasse que algum principio defendido está sendo violado, mas que aquilo não chega a ser uma ameaça a paz, poderia votar não, mas não vetar?, completou Amorim.

Com relação à composição da ONU, o ministro disse que não responde às necessidades do mundo. ?A África não está representada entre os membros permanentes, a América Latina também não. Os países em desenvolvimento da Ásia, com exceção da China, também não estão representados entre os membros permanentes?, exemplificou.

A representante da ONU no Brasil, Kim Bolduc, lembrou que a manutenção e a construção da paz jamais deixaram de ser uma preocupação constante e cotidiana da ONU. Apesar disso, Bolduc também acredita ser importante refletir a possibilidade de reforma da instituição.

Segundo Bolduc, os países membros precisam insistir na reformulação para democratizar o organismo ?porque a representatividade dentro da ONU permite um mundo mais democrático e mais igual. Todas as questões, do voto, do veto, permitem à ONU refletir a vontade do povo?.