Um estudo comparativo feito por técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) revela que o atraso médio dos vôos bateu recorde no ano passado, quando a aviação civil viveu o auge da crise aérea. Pousos e decolagens operados por companhias nacionais e estrangeiras atrasaram, em média, 1h13, ante os 53 minutos registrados em 2005. O menor patamar – 52 minutos – foi medido em 2000. Mesmo assim, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e o atual ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, negam a existência do apagão aéreo.

Em carta publicada anteontem no site de agência (pelo primeiro ano da Anac), Zuanazzi comparou os dados sobre atrasos e cancelamentos de vôos relativos aos meses de dezembro de 2005 e 2006. E diz que os números foram semelhantes. ?Ele (o estudo) revela a ponta de uma crise anunciada, mas sem espaço e discussão na mídia?, justifica. Para comprovar sua tese, Zuanazzi desconsiderou o acumulado do ano, confrontando apenas os porcentuais de vôos cancelados no Aeroporto de Congonhas em dezembro de 2005 – 15% – e o contabilizado durante a crise somente no mês de dezembro de 2006 -11%. Já os atrasos no período, segundo ele, foram de 30% em 2005, ante 45% em 2006.

?Não chamamos de crise, mas de problemas de infra-estrutura, tanto nos aeroportos quanto no controle (do espaço aéreo). Há um grande gargalo, mas as empresas estão investindo e crescendo?, disse ontem Zuanazzi, após uma palestra para o setor de turismo, em São Paulo. ?Não estou culpando ninguém, mas os planejamentos dos aeroportos de São Paulo foram abandonados na década de 70. Congonhas era para ser só ponte aérea e aviação executiva. Hoje, é o maior aeroporto da América Latina (na verdade é o segundo do ranking, como o jornal O Estado de S. Paulo revelou anteontem).

Mais cedo, também no Fórum Panrotas, Mares Guia, futuro ministro de Relações Institucionais, já havia declarado que o setor aéreo não sofre uma crise, mas ?problemas de gestão das empresas aéreas e na administração de dados pelo governo?. ?Crise é quando há algo de difícil solução e não temos uma crise engendrada. Houve falhas, foram detectadas e estão sendo resolvidas..