O assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes na Inglaterra é uma violação aos direitos humanos que os países alvo de atentados terroristas justificam através da manutenção da segurança. A análise é da coordenadora nacional do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), Roseane Queiroz.

"Em nome disso saem construindo uma ordem de segurança que viola direitos humanos porque o fato de você simplesmente estar na rua, ser estrangeiro e estar vestido de um certo estilo já lhe coloca como suspeito e, mais do que isso, um potencial terrorista".

Segundo Roseana Queiroz, o Movimento Nacional dos Direitos Humanos encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores uma solicitação para que o Estado brasileiro exija do governo britânico uma indenização para a família de Jean Charles. "Até agora o governo britânico pediu desculpas e nós exigimos que, mais do que um pedido de desculpas, tem também que haver uma reparação, afinal foi uma violação".

A coordenadora do MNDH critica a forma como os países tem reagido ao terrorismo. "Não é possível reagir de forma vingativa e violenta em cima do terrorismo", diz. "A impressão que temos é a de que os países mais ricos são os ditadores da segurança internacional e ditam uma dinâmica de segurança internacional, que é violadora".

Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia britânica na sexta-feira (22) depois de ser confundido com um terrorista que teria participado dos atentados no metrô de Londres na última quinta-feira (21).