Um nome fortíssimo desponta na bolsa de especulações para a sucessão do futuro presidente da República, que sequer foi eleito. Temos ainda cinco dias de expectativa até domingo e só então saberemos quem vai governar o país nos anos seguintes, mas grande parte da mídia política já comenta que o governador campeão de votos, Aécio Neves, é um dos prováveis candidatos à Presidência em 2010.

Fazer uma afirmação desse jaez com tamanha antecedência é, no mínimo, algo supinamente temerário diante das incertezas que marcam o cenário político brasileiro nos últimos tempos. Mesmo assim, arrisca-se o palpite inevitável e dá-se como favas contadas a candidatura de Aécio, após o segundo mandato como governador das Minas Gerais.

Tucano de escol e ungido pela votação extraordinária que recebeu no dia 1.º de outubro, Aécio terá um competidor à altura de sua importância política nos arraiais do tucanato. Justamente o colega governador da locomotiva brasileira, José Serra, também ele dono de um oceano de votos. E essa não será uma conjectura destituída de senso: Aécio e Serra deverão travar intensa luta pela indicação partidária, assim como ocorreu há alguns meses entre Serra e Alckmin.

Uma atenuante seria a continuidade da emenda da reeleição, que ninguém mais suporta, forçando-se de algum modo o governador paulista a disputar o segundo mandato, deixando a estrada livre para Aécio Neves. O neto de Tancredo ficaria à vontade para enfrentar o contendor apoiado por Luiz Inácio, sendo bastante provável que esse venha a ser o recém-eleito deputado federal Ciro Gomes, ex-ministro da Integração Nacional.

Ciro não pertence aos quadros do PT, para o qual é perfeitamente lógico supor que transfira sua filiação na abertura da próxima legislatura. Sua indicação não sofreria ação contrária de vulto, vez que o PT é hoje uma agremiação esvaziada de quadros relevantes, portando as condições básicas de um candidato à Presidência. O governador da Bahia, Jaques Wagner, eventualmente poderá se insinuar, mas tem horizonte limitado. Ao que parece, o tucano vai dar bicadas no papagaio cearense, atualmente recolhido ao silêncio obsequioso.