Em extensão, com 1,3 milhão de metros quadrados, o loteamento Moradias Rio Bonito é comparável ao bairro do São Francisco, que guarda boa parte da história de Curitiba.

O empreendimento, que concretiza um dos maiores projetos do programa habitacional do município, está sendo gradativamente ocupado e, quando totalmente consolidado, deverá abrigar em 6,2 mil lotes cerca de 25 mil pessoas – população que corresponde à de cidades do porte de Astorga e Ibaiti, no norte do estado, ou Palotina, na região oeste.

E esta pequena cidade que está surgindo dentro de Curitiba nasce com estrutura social e econômica. O projeto do loteamento reservou área para implantação de equipamentos públicos comunitários e destinou lotes para uso comercial e industrial. Por trás desta preocupação, estava a idéia, presente também em outros empreendimentos do programa habitacional do município, de dar sustentação às áreas de expansão urbana, evitando que elas se tornem bolsões de carências.

Parceria

O loteamento Moradias Rio Bonito, executado dentro do programa de parceria com a iniciativa privada, está cumprindo esta diretriz. Com cerca de 65% dos 6,2 mil lotes ocupados, a área já conta com duas escolas municipais, uma escola estadual, uma creche, um distrito policial e, no futuro, deverá receber uma unidade de saúde e novos equipamentos do município.

Duas indústrias

uma de laticínios e outra de temperos – estão instaladas no loteamento. Atrás deste movimento, chegou também o comércio. Somente no ramo de material de construção – o mais promissor no momento, com a proliferação de obras nos lotes – há dez lojas em funcionamento. Outros estabelecimentos, como farmácia, supermercado, mercearia, panificadora e comércio de confecção, também estão presentes. Profissionais como dentistas e advogados são outros que começam a se estabelecer no local, de olho nas perspectivas de crescimento que uma área em expansão oferece.

"A tendência é que a atividade econômica cresça à medida que cheguem mais famílias, o que é muito bom, porque além de dar vida própria ao loteamento, oferece a possibilidade de emprego e renda para os moradores", explica o presidente da Cohab, pastor Valdemir Soares.

Antiga fazenda destinada ao plantio de hortifrutigranjeiros que abasteciam a rede de supermercados Mercadorama até 1998, a área do loteamento Rio Bonito pertencia à família Demeterco. Quando ocorreu a venda das lojas da rede para o grupo Sonae, a família resolveu diversificar suas atividades, passando a investir também no ramo imobiliário.

Para isso, foram criadas duas empresas, a Piemonte Construções e Incorporações Ltda (responsável pelo projeto e execução da obra de implantação do loteamento) e a Rio Bonito Empreendimentos (que atua na parte comercial, de venda das unidades e administração dos financiamentos).

Para viabilizar a execução do projeto, a Piemonte procurou a Cohab e se integrou ao programa de parceria – que oferece para as empresas a possibilidade de realizar empreendimentos dentro dos parâmetros adotados pela Companhia, com lotes menores (em torno de 140 metros quadrados) e infra-estrutura simplificada.

Em função do contrato de parceria, a empresa comprometeu-se a, no final das obras, transferir do Fundo Municipal da Habitação (FMH) 20% do total dos lotes produzidos. Estas unidades foram vendidas diretamente pela Cohab e destinadas a famílias com renda de até três salários mínimos. Os 80% dos lotes restantes foram comercializados pelo empreendedor para famílias com renda superior a três salários. No caso do Rio Bonito, do total de 6,2 mil lotes, cerca de 1,2 mil foram entregues ao FMH.