O painel que envolve o auditório da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), de autoria do artista plástico parnanguara Emir Roth, está sendo restaurado 30 anos após sua confecção. A obra ? uma das mais importantes produzidas por artistas paranaenses ?, possui cerca de 40 metros de circunferência e 2,5 metros de altura e é uma atração à parte para os visitantes que, diariamente, chegam ao porto para conhecer suas instalações.

Ela retrata a história de Paranaguá, quando os colonizadores portugueses chegaram e os jesuítas começaram a catequizar os indígenas. Mostra, também, o desenvolvimento econômico ligado à agricultura e à pesca, os ciclos econômicos do Paraná e o início da atividade portuária.

O trabalho de restauro está sendo feito pelo técnico Juliano Carneiro, da empresa Arte e Restauro, de propriedade da restauradora Sueli Deschermayer. Segundo o restaurador, a obra é fantástica. ?Já ouvia falar de Emir Roth, mas não imaginava que teria essas dimensões. Me surpreendeu pela qualidade nos traços e a engenharia empregada no trabalho. É uma obra de muita qualidade técnica?, disse Carneiro.

Ana Balbinot, arquiteta que coordenou a execução da reforma do prédio administrativo da Appa, informou que o restauro estava contemplado pelo projeto e que só agora está sendo possível realizar os trabalhos porque a climatização e a luminosidade adequadas para a obra estão concluídas.

Carneiro, que já restaurou obras no Castelo do Batel, Solar dos Leões, Colégio Marista (Curitiba), Casa de Cultura de Ponta Grossa, Igreja Matriz de Colombo, entre outros, disse que, na etapa inicial, está sendo feita a limpeza tópica, com a retirada da poeira impregnada na camada pictória.

A reconstituição será feita apenas onde foi colocado, há cerca de sete anos, um rodapé circundando a obra. ?Foi uma agressão muito grande, pois a técnica de Emir consistiu na pintura em tela e textura com massa. Será necessário nivelar os furos feitos com as buchas tentando respeitar ao máximo a obra deste grande artista. Também teremos que restaurar os riscos na pintura?, avaliou.

Ana Balbinot disse que é importante que as pessoas que visitam o Porto não toquem na obra e coíbam qualquer ato que vá danificá-la, já que ela está muito exposta e ao alcance de todos. ?É um painel que, pelo seu valor artístico, orgulha a todos os portuários e toda a população de Paranaguá. Emir era parnanguara e, portanto, paranaense, portanto, é dever de todos nós zelar por esta obra artística, que transmite a cultura de um povo?, concluiu.

Artista

Emir Roth nasceu em Paranaguá no ano de 1940. Pintor, desenhista, escultor e gravador tem diversas obras de destaque, entre elas o painel de São Francisco das Chagas, no centro histórico de Paranaguá e no Mercado Municipal. Artista de futuro promissor, se rendeu à boemia, que o levou à morte com apenas 48 anos de idade.

O Jornal Paranaguá, editado em abril de 1984, para divulgar o projeto Gralha Azul, registrou que ?suas paisagens marinhas em tons baixos e com texturas sensíveis, impressionam por seu cálido acento humano, pela vigorosa mão de um pintor que toca suas composições com um prazer que amolda e dá vida. Emir Roth chegou a engatinhar no campo jurídico até que adveio o impasse: dentro de sua alma gritava o espírito de boêmio do artista. Largou tudo que não fosse a sua arte?.