A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar os juros de 16% para 16,25% ao ano não foi suficiente para evitar um novo aumento das projeções de inflação para 2005. Os números da pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com analistas de bancos, divulgados hoje (20) subiram pela quarta vez consecutiva e passaram dos 5,70% para 5 80%. O indicador é considerado a variável-chave a ser observada na análise da trajetória da política monetária.

Outro indicador importante a apresentar piora foi o das previsões de IPCA para 12 meses à frente. As estimativas subiram dos 6,19% da semana passada para 6,25%, mesmo porcentual de pesquisa feita há um mês. As projeções de inflação para este ano por sua vez, se estabilizaram em 7,37%, um porcentual bem superior aos 5,5% do centro da meta de inflação, mas ainda distante do teto de 8%. As estimativas para setembro também não se alteraram: 0,60%. Para outubro, as instituições financeiras ouvidas pelo BC revisaram suas expectativas de IPCA de 0,45% para 0,46%.

As estimativas de juros para o final do ano subiram de 16,50% para 16,75%. Apesar da alta, o porcentual estimado na pesquisa do BC ainda se encontra abaixo dos 17% previstos pela maioria das mesas de operação de mercado após a decisão do Copom de elevar a Selic e apontar para novas altas da taxa básica de juros da economia.

As expectativas de juros para outubro aumentaram de 16 25% para 16,50%, embutindo uma previsão de nova alta de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Copom. As projeções de juros para o final de 2005, por sua vez, ficaram estáveis em 15% pela segunda semana consecutiva.

Apesar do cenário de alta dos juros, as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano subiram pela décima primeira semana consecutiva e passaram de 4,31% para 4,36%. As expectativas de aumento da produção industrial neste ano, em contrapartida, ficaram estáveis, em 6,50%.

As previsões de expansão do PIB para 2005 seguiram tendência inversa e recuaram de 3,60% para 3,50%. As estimativas de aumento da produção industrial também caíram e passaram de 4 05% para 4,04%.

As estimativas de superávit da balança comercial para este ano seguiram a tendência de alta e passaram de US$ 31 bilhões para US$ 31,50 bilhões. Para o superávit da balança comercial no ano que vem, o mercado ampliou suas projeções de US$ 26,10 bilhões para US$ 26,20 bilhões. O mercado elevou ainda de US$ 8 bilhões para US$ 8,10 bilhões as estimativas para o superávit em conta corrente neste ano. Para 2005, as projeções deste superávit continuaram estáveis em US$ 3 bilhões pela quinta semana consecutiva.