A movimentação no pátio de triagem de caminhões do Porto de Paranaguá e os volumes exportados pelo Corredor Público de Exportação servem como um importante termômetro para medir o desempenho do escoamento da safra de grãos, principalmente de soja pelo terminal paranaense.

Levantamento realizado pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) revelou nesta segunda-feira que em julho 17.680 caminhões passaram pelo Pátio de Triagem. Desde total, 11.393 estavam carregados com soja. Em agosto, dos 13.006 caminhões que passaram pelo pátio, 8.470 estavam carregados com o grão.

A queda verificada no volume de caminhões em relação a 2004 ? 10 mil a menos em julho e 26 mil a menos em agosto ? foi compensada pelo incremento do número de vagões que chegaram ao Porto para descarregar.

Números divulgados pela América Latina Logística (ALL) mostraram que em julho deste ano, 58% dos grãos (açúcar, farelo, milho, soja e trigo) movimentados pelo Porto chegaram ao terminal via vagões. Em agosto, este volume chegou a 67%. Em comparação ao ano passado, o incremento é bem significativo. Em julho de 2004, do total de grãos que chegaram ao Porto, 39% foram pela ALL. Já em agosto do mesmo ano, o índice foi de 31%.

Ainda de acordo com os dados fornecidos pela ALL, a equivalência entre vagões e caminhões mostrou que de janeiro a agosto de 2004, do total de movimentações, uma média de 43% aconteceu via ferroviária. E em 2005, a média no mesmo período chega a quase 60%.

Outro dado mostra o quanto o transporte de soja por meio de caminhões deu lugar aos vagões. Em julho de 2004, o volume foi de 22% e em agosto de 16%. Em 2005, os volumes foram maiores: 38% em julho e 43% em agosto.

Fim das filas

Ao avaliar os resultados obtidos entre os transportes rodoviário e ferroviário, o superintendente da Appa, Eduardo Requião, disse estranhar a postura de pessoas que hoje ?sentem falta? das extensas filas que se formavam na rodovia em direção ao porto.

?As históricas filas de caminhões, que se formavam na beira da estrada sempre foram sinônimo de incompetência, descaso e falta de investimentos nos setores produtivos e exportador. Mostramos que com medidas técnico-operacionais sendo rigorosamente tomadas e cobradas foi possível eliminar o problema. Porém, hoje, nos questionam sobre as filas, sentem falta daquela vergonha. O Porto continua exportando como sempre sem que, para isso, tenha que submeter caminhoneiros à condições precárias para poderem trabalhar, fazendo do Porto o único culpado por todo aquele caos?, disse o superintendente.

Para que sejam definidas a ordem de atracação dos navios e toda a dinâmica operacional, são exigidas, dentre outras condições, a nomeação de cargas para os navios, ou seja, só será permitida a descarga de cargas com nomeação nas moegas. Isso evita um possível ?comércio? dentro do Silo Público.

Estatísticas

As exportações pelo Porto de Paranaguá alcançaram expressivos volumes em produtos de diferentes segmentos. Na Carga Geral, por exemplo, os destaques são os embarques de couro, que tiveram um aumento de 19% no acumulado em comparação ao mesmo período de 2004; de congelados, com um incremento de 39%; de açúcar com aumento de 46% e de cerâmicas, com crescimento de 14%. Ainda na Carga Geral, o Porto de Paranaguá registrou crescimento de 55% na importação de celulose.

No segmento de Granéis Sólidos, o porto teve crescimento de 74% nas exportações de açúcar, 37% na importação de minérios e de 35% na importação de sal. No segmento de granéis líquidos, a exportação de longo curso de derivados de petróleo subiu 35%, enquanto na cabotagem o incremento foi de 42%. No Porto de Antonina, as exportações de madeira cresceram 187% e de ferro tiveram aumento de 99%.

Navios

Nesta segunda-feira, 14 navios estavam atracados no Porto de Paranaguá. Deste total, 3 descarregavam 75,7 mil toneladas. Duas embarcações estavam recebendo 67,4 mil toneladas e as demais se dividiam na movimentação de madeira, contêiner, açúcar ensacado e a granel, veículos e cargas inflamáveis. Outros dois, em Antonina, embarcavam cargas congeladas e madeira.

Ao largo, 31 embarcações aguardam para atracar. Destas, 4 para embarcar açúcar ensacado, 10 para descarregar fertilizantes, 4 para embarque de farelo, 2 para carregar soja em grãos, entre outros.

O perfil dos navios que atracam nos portos paranaenses segue uma tendência internacional, ou seja, o volume de embarcações pode estar menor, mas o comprimento das embarcações está maior, revelando que não há perca de volumes, mas sim ganho nas capacidades embarcadas. Em 2002, os portos do Paraná receberam 2.050 embarcações, em 2003 foram 2.265, em 2004 foram 2.204 e em 2005, até agosto, atracaram 1.539 navios.

Nos últimos 4 anos, os navios tiveram um aumento de 11 metros no seu comprimento, chegando a uma média de 188 metros.