Rio de Janeiro (AE) – De tanto serem criticados pelos erros durante os jogos do Campeonato Brasileiro, os árbitros resolveram reagir e vão exigir os mesmos recursos tecnológicos, que hoje os condenam, para produzirem as súmulas durante o segundo turno do Nacional. Na quinta-feira, o advogado da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), Francisco Victor, entrará com um pedido de liminar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para ratificar a pretensão dos juízes.

Caso não seja aceito, o caso irá para a Justiça Comum e a Fifa. Nesta segunda-feira, Márcio Rezende de Freitas foi apenado com uma suspensão de 30 dias. "O aparato televisivo e tecnológico é importante, mas está servindo para a morte prematura de alguns árbitros", defendeu o advogado da Anaf.

"O tribunal está em vantagem porque pode rever um lance quantas vezes quiser para depois julgar, enquanto o juiz tem somente 15 segundos para decidir." De acordo com o advogado da Anaf, o documento que será entregue no STJD pedirá que os árbitros tenham a seu dispor no vestiário um aparelho de videocassete, com a gravação da partida, assim como um computador com acesso à internet.

Desta maneira, nas quatro horas de prazo que possuem para confeccionar a súmula, o trio de arbitragem poderá relatar os incidentes que passaram desapercebidos e amenizar os erros vexatórios, assim como corrigir possíveis falhas.

A queixa da Anaf vem como uma reação aos julgamentos realizados pelo STJD neste ano, além do excessivo número de críticas que os árbitros estão recebendo. Nesta edição do Brasileiro, quatro juízes já foram ao tribunal. No total, duas absolvições e duas condenações. Nesta segunda-feira, foi a vez do experiente Márcio Rezende de Freitas ser punido com uma suspensão de 30 dias por ter agredido verbalmente os jogadores do Botafogo, durante a derrota para o Palmeiras.

"Os erros de arbitragem sempre existiram e vão existir para o bem do futebol. O problema é que, antes, o árbitro não tinham dez câmeras de TV gravando tudo o que ocorre no campo. É uma luta injusta", admitiu o advogado da Anaf.

E na tentativa de tentar acabar com os equívocos de interpretação dos juízes, o Departamento de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realiza hoje em todo o Brasil uma teleconferência. Todos os 632 árbitros dos quadros da entidade foram intimados a comparecer em um dos 24 pontos espalhados pelo País para acompanhar o evento.

Assuntos como a interpretação das punições para o "carrinho" e o "impedimento" serão abordados. E erros como o do juiz Héber Roberto Lopes, que no empate de domingo entre Santos e Botafogo deixou de marcar um pênalti para o time paulista e assinalou um duvidoso para a equipe carioca, também têm chance de ser discutidos.

"Todo mundo critica os árbitros vendo de casa, tranqüilos. Garanto que se os árbitros tivessem esses recursos, ficassem em casa, poderiam fazer um julgamento muito melhor do que estando dentro do campo sofrendo pressão o tempo inteiro", disse o advogado da Anaf.