Artistas de todo o país foram, nesta quarta-feira, às ruas, em 12 capitais brasileiras, para recolher assinaturas com o objetivo de sensibilizar o governo a aumentar a verba destinada à cultura. No Rio, as atividades do Dia Nacional do Abaixo Assinado concentraram-se na Cinelândia, onde se apresentaram palhaços, malabaristas, grupos de dança e música e atores.

Os artistas têm de conseguir um milhão de assinaturas para encaminhar ao Congresso Nacional, na forma de emenda a um projeto que já está em discussão e que aumenta de 0,34% para 2% a parcela do Orçamento federal a ser investida em projetos culturais a partir de 2006. Eles reivindicam também a liberação de 57% das verbas destinadas pelo governo à cultura para este ano e que permanecem retidas.

O ator e presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Artes do Rio de Janeiro, Stepan Nercesian, disse que a atual situação da cultura no país é "lamentável" e que "os artistas só estão em cena por dedicação profissional".

"A questão do Orçamento é que revela qual o interesse real que um governo tem com a questão cultural, porque sem dinheiro não se produz nada. Por isso, decidimos por este movimento e, mesmo sabendo que é um trabalho de formiguinha, estamos confiantes em conseguir o número de assinaturas necessário para encaminhar ao Congresso Nacional", acrescentou Nercesian.

Stepan Nercesian afrmou que o ministro da Cultura, Gilberto Gil, tem conhecimento das reivindicações da classe, mas, "apesar de ser um artista, nada pode fazer sem uma política cultural definida".

Somente no Rio de Janeiro, das 11 às 14 horas, os artistas conseguiram mais de duas mil assinaturas. Outras 20 mil já haviam sido recolhidas nas portas de teatros da cidade desde o início deste mês.