A cúpula nacional do PMDB, decerto puxada pela gravidade da crise política, já trabalha com a hipótese de adiantar para este ano a realização das prévias para a escolha do candidato à Presidência da República.

O deputado Dobrandino Gustavo da Silva, presidente do diretório estadual no Paraná, é simpático à medida, mas sua disposição não é vista pelo mesmo prisma pelo secretário chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, e pelo vice-presidente do diretório, deputado Nereu Moura.

Na próxima semana haverá reunião do Conselho Político do partido, do qual Dobrandino faz parte, com a finalidade de examinar a antecipação da escolha do peemedebista que deverá disputar a presidência. A convocação foi feita por telefone pelo presidente Michel Temer (SP).

Mesmo diante da pouca receptividade com que a tese foi recebida por alguns companheiros de legenda, Dobrandino revelou a disposição de defendê-la no encontro dos presidentes de diretórios regionais porque, a seu juízo, a proposta ganha corpo.

O deputado disse que o PMDB tem em seus quadros nomes de peso para pleitear a indicação, entre eles os governadores Roberto Requião, Germano Rigotto e Jarbas Vasconcelos. Ponderado, entretanto, evitou citar o ex-governador do Estado do Rio, Anthony Garotinho.

Na verdade, esse é o nome ligado ao PMDB lembrado em todas as sondagens até aqui realizadas sobre as intenções de voto na eleição presidencial do próximo ano. Garotinho não foi inteiramente esquecido pela população e figura numa posição intermediária.

Nunca é demais lembrar que na pesquisa Datafolha sobre os políticos mais honestos do País, o nome do ex-governador desponta entre os primeiros. Aliás, a boa performance de Garotinho deve suscitar alguma contrariedade nos históricos do PMDB, sobretudo porque só entrou no partido depois da derrota na campanha presidencial de 2002.

É declarada a intenção de Garotinho de concorrer novamente à presidência pelo PMDB, realidade comprovada por sua exposição nos meios de comunicação, especialmente no rádio, onde trabalhou desde a juventude. Garotinho tem ainda a favor o expressivo apoio das igrejas evangélicas, já que ele e a governadora Rosinha Matheus, sua mulher, têm essa filiação religiosa.

Talvez seja esta a ressalva partilhada pelos próceres do PMDB paranaense, alarmados pelo assanhamento declarado do ex-governador do Rio.