Após as críticas de perseguição política dadas ontem (21) pelo deputado cassado e presidente do PTB, Roberto Jefferson, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal divulgou uma nota oficial para rebater as declarações sobre as motivações do indiciaciamento pela Polícia Federal por formação de quadrilha. A associação defende o trabalho feito pelo delegado Daniel França, que preside o inquérito que investigava denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Os procedimentos foram feitos de forma "escorreita" pelo delegado no exercício do cargo.

"O indiciamento concretiza a avaliação probatória de todo o material colhido no inquérito policial, o que implica dizer que o ato de indiciamento, composto de um despacho prévio, fundamentado, auto de qualificação e interrogatório e demais peças obrigatórias, é elaborado quando há fortes indícios de autoria e materialidade e não em razão de trabalho escrito pelo investigado, o que é indevidamente sugerido pelo mesmo como interessado", diz a nota.

Segundo a PF, o indiciamento é técnico e baseado em provas segundo as quais Jefferson indicou pessoas não para trabalhar pelo órgão (Correios), mas sim para o PTB, angariando fundos para o partido que ele preside. As provas que levaram a concluir que o ex-deputado estava envolvido no crime de formação de quadrilha foram ainda o depoimento dele Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, que, na visão dos delegados, representa a confissão de Jefferson sobre sua participação no esquema.

A Polícia Federal baseou-se também no depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, que confirmou polícia a atuação de Jefferson no suposto esquema. Segundo foi apurado pela polícia, o PTB indicava nomes para cargos nos Correios e, assim, fazerem "caixa" para o partido. As indicações também eram feitas por outros partidos da base aliada do governo.