As obras de melhoria do trecho urbano (de Curitiba a Colombo) da Estrada da Ribeira são um monumento à incompetência do governo do Estado e de seu chefe, Roberto Requião. O trabalho está paralisado, mais uma vez, há mais de 40 dias. Nenhuma máquina, nenhum caminhão, nenhum operário ao longo dos cerca de sete quilômetros, do trevo do Atuba ao bairro de Guaraituba, em Colombo. Uma empreiteira abandonou seu trecho, porque o valor licitado não cobria o custo. A outra empresa, Construtora Pussoli, que tocava o segundo lote, do bairro Maracanã ao novo terminal de ônibus de Guaraituba, assumiu o trecho da empreiteira que se retirou, deu bom impulso ao serviço, mas cruzou os braços de novo. O governo do Estado, através da Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), não vem liberando as parcelas de dinheiro e a empreiteira tocou enquanto tinha recursos próprios. O dinheiro dela acabou e as obras pararam.

A estrada acabou se transformando numa armadilha para motoristas e pedestres. O acostamento foi rebaixado, para o alargamento da pista de rolamento, e em alguns pontos o desnível chega a um metro. Os acidentes se multiplicaram, o atropelamento de transeuntes é constante, sem citar prejuízos materiais com a perda de pneus e rodas. As duas pontes, sobre os Rios Atuba e Palmital, são um perigo permanente. A primeira, na divisa dos municípios de Curitiba e Colombo, foi alargada, mas o trecho novo não pode ser utilizado, pois o asfalto das cabeceiras não está concluído. E a obra-de-arte original, construída há mais de sessenta anos, apresenta defeitos graves nas duas testadas, onde o asfalto cedeu devido à erosão do aterro.

A segunda ponte, sobre o Rio Palmital, é um atentado à vida de motoristas e pedestres. Foi alargada, mas não tem acesso. O tráfego está sendo feito por um desvio, precariamente sinalizado, em um pedaço da ponte velha. O outro pedaço está comprometido, por causa das chuvas. O nível do rio subiu e as águas solaparam o concreto antigo, que acabou tombado sobre a estrutura nova do alargamento que ainda não está pronto. A tubulação de água potável da Sanepar, que corre ao lado da estrada, ficou seriamente danificada no ponto de transposição do Rio Palmital. E enquanto não for reparada não há como concluir o alargamento da ponte e sua liberação ao tráfego de carros e pedestres.

O terminal de ônibus de Guaraituba está pronto há um ano e não há como ser inaugurado por falta de acesso. A ponte sobre o Palmital faz parte do complexo de tráfego dos coletivos da Rede Integrada de Transporte ao terminal, que vai aliviar e dar condições de reforma do complicado e congestionado terminal do Alto Maracanã.

Ao não cumprir seu compromisso financeiro com a empreiteira das obras de melhoria da Estrada da Ribeira, o governo do Estado, através da Comec, provoca uma crise que vai além da própria empresa e dos usuários da importante rodovia. Afeta uma cadeia de contratados da Pussoli, donos de caminhões-caçamba, máquinas rodoviárias, fornecedores de insumos e combustíveis, subempreiteiros de obras de meio-fio e aterros e fornecedores de grama.

As obras eram para ser entregues em março, passou para agosto, para outubro, dezembro terminou e 2008 chega sem perspectiva de que serão concluídas neste primeiro semestre.

Uma grande irresponsabilidade, um atestado de incompetência passado ao ocupante da Granja do Cangüiri, ora em veraneio na Ilha das Cobras.