Ingolstadt – Alemanha

 – Os próximos dois anos serão decisivos para o destino da unidade de fabricação de veículos da marca Audi no Brasil, localizada junto à planta da Volkswagen, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. Durante a assembléia mundial da Audi, o chefe de vendas para o continente americano, Mattias Seidl, disse que a partir de 2005 a empresa vai deixar de fabricar no país o Audi A-3 de três e cinco portas, mas ainda não há decisão se o modelo será substituído por outro da própria marca ou se a Volkswagen irá utilizar a unidade para fabricar o veículo da marca Golf. A Audi investiu no Brasil desde 1998 1,2 bilhão de euros e vendeu em 2002 um total de 10.674 veículos, 14,3% a menos que no ano anterior.

– Vamos avaliar se ficamos ou não no Brasil. Esta decisão ainda não foi tomada. O certo é que em dois anos não mais fabricaremos no País o modelo A-3 – disse Mattias Seidl.

Pelos números apresentados aos acionistas da empresa, o volume de vendas da Audi cresceu 2,6% em 2002 em comparação com o ano anterior. Isso gerou um faturamento de 22,6 bilhões de euros. O resultado líquido foi de 774 milhões de euros, descontados os impostos. O crescimento das vendas acontece pelo sétimo ano consecutivo. No primeiro trimestre deste ano, a empresa vendeu 182 mil veículos, mesmo resultado obtido em 2002. Se incluídas as vendas de outras marcas do grupo Volkswagen fornecidos pelo importador italiano Autogerma, as vendas sobem para 250 mil veículos.

– Não podemos contornar em todas as áreas a situação atual do mercado, mas os números do primeiro trimestre mostram a força da marca com os quatro anéis mesmo em tempo difíceis – disse o presidente da Audi Martin Winterkorn.

Durante a assembléia realizada na sede da empresa, parte dos acionistas demonstrou preocupação pela queda da atividade econômica no mundo e, em particular na Alemanha. Segundo o chefe de vendas para o continente americano, a expectativa é de estagnação econômica este ano. No caso da Alemanha, a exemplo do que está sendo esperado para o Brasil, a atividade econômica pode melhorar só a partir do próximo ano, depois de aprovadas no Congresso as reformas tributária e da Previdência.

– A carga de imposto recai em 36% sobre as empresas quando há distribuição de lucro e em 56% sobre o capital que não é distribuído. É preciso reduzir custos, flexibilizar demissões e reduzir a carga de impostos – disse Seidl.