Os auditores da Receita Federal decidiram, em assembléias realizadas, nesta quinta e sexta-feira por todo País, que vão fazer uma nova greve de advertência ao governo nos próximos dias 13 e 14.

O servidores, que lutam contra a forma como o governo pretende unificar as Receitas Federal e Previdenciária, já pararam durante 48 horas nesta semana e podem voltar a fazer novas paralisações, caso o governo não decida pela revogação da medida provisória nº 258, que estabelece a criação da chamada Super-Receita.

"A decisão foi tomada por uma ampla maioria. Queremos alertar para o problema da fusão de dois órgãos tão complexos, o que pode acabar gerando prejuízos no atendimento ao cidadão", afirma Carmen Bressane, presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco) de São Paulo.

Carmen critica a velocidade com que o processo vem sendo conduzido, sem que se ouçam as demandas dos funcionários dos órgãos ou mesmo da sociedade. No sua opinião, o ideal seria que a união das receitas fosse proposta por meio de um projeto de lei, que permitiria um amadurecimento maior da idéia. "Não existe nem cronograma estabelecido (para a fusão). É preciso que haja uma discussão mais ampla", diz.

Nesse sentido, a presidente do Unafisco de São Paulo ainda critica a tentativa de regulamentação da nova estrutura feita pelo governo nesta semana, quando foi emitida uma portaria que estabelece metas de fiscalização para o novo órgão em 2006. "Isso é temeroso. Estamos falando de uma medida que ainda não foi aprovada e já estão fazendo regulamentações. O correto seria aguardar a aprovação da MP", diz.

No tocante aos auditores, uma das preocupações principais da categoria diz respeito à "porta" que a MP abre para que profissionais não concursados possam ocupar cargos de auditores por meio do mecanismo de progressão funcional, que permite a ascensão de técnicos ao nível de auditores. "Isso atenta, inclusive, contra a Constituição", afirma.