Mais um personagem importante da Fórmula-1 veio a público falar sobre as qualidades do piloto brasileiro Ayrton Senna, na semana em que se comemora os dez anos de sua morte em Ímola, na Itália. Em uma longa entrevista ao jornal britânico The Independent, Bernie Ecclestone, presidente da FOM (Formula One Manegement) contou alguns detalhes sobre o início da carreira de Senna e reforçou que tinha uma grande admiração pelo brasileiro.

Em 1984, quando Senna ingressou na Fórmula-1 pela equipe Toleman, Ecclestone já havia lhe oferecido uma vaga na Brabham, equipe que dirigia na época. O acordo previa um salário baixo na primeira temporada, mas Senna teria melhores condições nos anos subseqüentes se mostrasse bom desempenho. “Foi a mesma condição que oferecemos a Nelson Piquet quando ele entrou no time em 1979”.

No fim de 1983, Senna havia testado pela Brabham e então Ecclestone viu que ele era rápido. “Mas eu percebi que Ayrton seria realmente bom quanto Nelson, que era “do contra”, e se opôs à sua entrada na equipe”. Piquet corria para Ecclestone na época e chamava Senna de “motorista de táxi”. Para o então dirigente da Brabham foi ele quem conseguiu, junto à Parmalat (principal patrocinador da equipe), barrar a entrada do compatriota no time. “Acho que Piquet convenceu a empresa de que um brasileiro era suficiente e o mais correto seria colocar um italiano no segundo carro”, disse.

Ecclestone também falou sobre um dos duelos que a Fórmula-1 mais gostaria de ver, mas não presenciou: Senna x Schumacher. “Eles correram em épocas diferentes, mas se tivessem o mesmo carro, Ayrton ficaria na frente. E Schumacher não teria todas as vitórias e títulos que tem hoje, pois se estivesse vivo, Senna continuaria sendo um grande vencedor. Eu apostaria meu dinheiro nele”, afirmou.

Para o dirigente da FOM, Senna gostaria de ver a Fórmula-1 como é hoje, menos do novo sistema de classificação, pois como não se sabe a quantidade de combustível que o piloto leva no carro, fica mais difícil avaliar seu talento. “Quando que, nos velhos tempos, com todos fazendo três voltas boas, alguém batia o tempo de Ayrton? Ele era fantástico em todos os aspectos, mas na classificação ninguém o superava”. Ecclestone terminou e entrevista afirmando que Senna sempre terá seus fãs não apenas por suas qualidades como piloto, mas pela excelente pessoa que era.

O mundo ainda reverencia Senna

No próximo sábado, dia 1´ de maio, o Brasil, mais uma vez, vai se lembrar de Ayrton Senna. Não por ser um sábado, dia em que o País parava pela manhã para ver o nosso piloto, habitualmente, conquistar mais uma “pole position”.

Será um sábado de luto pelos dez anos da morte do tricampeão mundial de Fórmula-1, o brasileiro Ayrton Senna, e também por ser um dia muito especial para reverenciar um mito ainda vivo. A cada corrida, a cada 1´ de maio, Senna renasce para milhões de torcedores, essa é a verdade.

Nesta oportunidade, o Jornal do Automóvel rende suas homenagens a esse grande desportista brasileiro, que tantas alegria nos proporcionou durante o tempo em que pilotou os bólidos da Fórmula-1, transformando por algum tempo as manhãs de domingos dos brasileiros que o tinham como ídolo.

Assim, resolvemos transcrever um texto que nos chegou às mãos há dez anos atrás, quase em forma de oração, e que resume a partida inesperada do nosso Ayrton Senna no dia 1.º de maio de 1994, pilotando uma Williams a mais de 300 km/h na curva Tamburello do circuito italiano de Imola.

“Senhor, por acaso não chegou ai um garoto num carro azul, em alta velocidade? É o nosso Ayrton, um brasileiro como o Senhor. Um piloto arrojado, o melhor de todos.

Se ele chegou, de a ele a bandeira quadriculada e tranqüilize-o, porque embora ele não saiba, ele venceu. De a ele a sua mão, Senhor, para que ele saia do carro. Ele pode estar assustado e meio perdido, pois saiu daqui com a velocidade de um raio. Nem teve tempo para despedir-se de mais de 150 milhões de brasileiros, sem contar as nacionalidades do mundo inteiro.

Senhor, faça com que ele veja a maior prova de gratidão e de amor de um povo, que jamais um mortal recebeu. Transmita a ele Senhor, nossos sinceros agradecimentos por todos esses anos de glória e de luta. Acelera, Ayrton, pois daqui debaixo, a cada estrela que cruzar o céu, saberemos que você estará nela, e os anjos do céu tocarão em seus clarins o tema da vitória.

Acelera Ayrton, nosso eterno campeão.”

Ass. Um brasileiro