Neste mundo curioso tem gente que coleciona dinheiro, ou esposas, ou títulos e muitas outras coisas e tem gente que coleciona pregos também.

Só que, neste caso, são pregos especiais, que levam a devaneios idem. Veja, prezado leitor, o caso do senhor Waldir Kunze, catarinense de Concórdia/SC e morador de Curitiba desde 1977.

Ele é colecionador de pregos sim, há 42 anos, mas somente pregos que furam os pneus dos seus carros. Cada prego que entra para a sua coleção é uma história, incluindo ainda parafusos, arruelas e outros objetos perfurantes.

Kunze, professor de língua inglesa, fez estágio profissional no estado do Missouri/EUA, em 1967, quando foi contaminado pelo virus do ferro-velho. De volta ao Brasil, em 1968, de imediato adquiriu em São Paulo/SP um automóvel Ford 1929, original até no ar dos seus pneus, com 38.000 quilometros rodados, o qual possui há cerca de 40 anos, período em que rodou apenas 200 quilometros!

Imaginem o estado de conservação do fordinho, pintado nas cores marrom e preta. Mas, a coleção de pregos foi iniciada ainda em 1967, naquela cidade catarinense. O prego número 1 furou um pneu do Volkswagem sedan 1967, cor verde-Caribe, do senhor Waldir.

O prego número 2 furou um pneu do Volswagen 1969, cor bege-clara; o de número 3 furou um pneu do Volkswagen 1970, cor bege-clara também; o de número 4 furou um pneu de outro Volkswagen sedan 1972, cor amarelo-colonial.

Bem, vamos parar de enumerar os pregos por aqui, para não entediar o leitor. O fato é que o senhor Waldir tem coleção que já conta com 15 pregos, parafusos e outros objetos que furaram algum pneu dos seus carros e lhe causaram aborrecimentos. Pregos de vários tamanhos, formatos, retos, tortos.

Não interessa: prego furou, Waldir colecionou (parodiando aquela propaganda da extinta Hermes Macedo S/A, que dizia: “Pneu carecou, HM trocou!). Ele mesmo explica que, não é por motivo de raiva dos pregos, vingança, etc. Talvez seja por ser uma pessoa detalhista, cuidadosa ou por gostar de ter histórias para contar.

Vejam que ele recolhe do leito das ruas tudo o que vê e que possa furar o pneu de um carro. Num período em que morou na cidade de São Paulo, no trajeto a pé da sua residência ao local de trabalho encheu de pregos, em pouco tempo, uma lata de Nescau!

Além disso, ele é membro fundador do Clube do Fordinho e do clube Amigos do Volks, de Curitiba, este último em preparativos para a comemoração do Dia Nacional do Fusca, que acontecerá no estacionamento de veículos do Palácio Iguaçu – Centro Cívico, na capital paranaense, neste dia 25 de janeiro, das 9h às 19k. Apareçam!

Sim, mas, e o negócio da bala? Pois é, num dia de 1986 o senhor Waldir entrou na garagem na qual estava estacionado o seu Ford 1929 e notou que havia um buraco no telhado, bem em cima do veículo. Chegando mais perto, constatou que havia cacos de telha sobre a capota de lona do carro.

Para sua surpresa, ali estava também uma bala de revolver calibre 38, a causadora do buraco no telhado! Não titubeou: enriqueceu a sua coleção de pregos com a bala perdida (agora achada). Na ilustração de hoje, mostramos o senhor Waldir Kunze segurando a bala perdida ao lado da “vítima”. (Ari Moro 3343-3253).