ja85a.jpgNa temporada 2006, a Honda competirá com uma equipe própria na Fórmula 1 pela primeira vez desde 1968. Honda Racing F1 Team foi o novo nome escolhido após a aquisição de 100% da BAR Honda. Depois de 38 anos, o carro que marcará a reestréia da marca na competição será pilotado pelo brasileiro Rubens Barrichello (n.º 11) e pelo seu companheiro de equipe, o inglês Jenson Button (n.º 12). Também inglês, Anthony Davidson é o terceiro piloto.

No modelo RA106, a Honda iniciou um projeto completamente novo, migrando do motor V10 para o V8, de oito cilindros. Sua equipe de desenvolvimento passou a trabalhar nesse novo carro tão logo foram anunciadas as mudanças nas regras pela FIA (Fédération Internationale de l?Automobile). O primeiro teste ocorreu na pista de Mugello, Itália, já no mês de abril do ano passado. Seguiu-se um intenso trabalho conduzido com protótipos primeiramente no Japão e, posteriormente, no Reino Unido.

ja85b.jpgDurante o desenvolvimento, a Honda se beneficiou da experiência adquirida na construção de motores para as categorias norte-americanas. Em particular, a um certo limite de rotação a ressonância costuma causar problemas de vibração nos propulsores V8, e a experiência da Honda na CART foi essencial para que esse comportamento fosse anulado.

Da mesma forma, como o número de cilindros mudou de 10 para 8, a equipe de desenvolvimento teve de se adaptar a um novo limite mínimo de peso, acompanhado do banimento de determinados materiais e do coletor de admissão variável. A última dessas medidas reduz a possibilidade de utilização do motor na faixa de torque ótimo, o que levou os especialistas a dedicar boa parcela de tempo para prover torque logo a partir da troca de marcha.

Além dos desafios comuns ao desenvolvimento de um novo motor, os engenheiros tiveram de atentar para como a unidade V8 afetaria o conjunto. Projetistas no Japão e no Reino Unido trabalharam juntos para minimizar os impactos da vibração mais elevada dos V8, em especial nos sistemas hidráulicos e na caixa de mudanças. Ao longo dos testes com o carro-conceito. esses sistemas se mostraram confiáveis e, assim, atestaram também a eficiência conquistada pela equipe nos últimos anos de trabalho.

Honda na Fórmula 1

O compromisso da Honda com o esporte a motor é uma constante em sua história. Soichiro Honda, fundador da companhia, participou de provas na década de 30 e chegou a estabelecer o recorde japonês de velocidade, anos antes de inaugurar a fábrica que levaria seu sobrenome. A estréia da Honda na Fórmula 1 ocorreria em 1964, antes mesmo que seu primeiro automóvel completasse dois anos de lançamento.

Durante os dois períodos em que a Honda participou da Fórmula 1, o primeiro com a equipe própria (1964-1968) e o segundo como fornecedora de motores (1983-1992), venceu 71 provas, cinco campeonatos de pilotos e seis campeonatos de construtores consecutivos. A primeira vitória em um Grande Prêmio veio na Cidade do México, em 1965, depois de largar da 11.ª posição.

O retorno à Fórmula 1 se iniciou em 2000, quando a Honda firmou a parceria com a então iniciante British American Racing para o fornecimento de motores e o desenvolvimento conjunto de chassis. Após adquirir 45% das ações da BAR a Honda no ano de 2004, completaria a transferência dos 55% restantes no último mês de dezembro.

Hoje, o Honda Racing F1 Team se considera uma equipe no sentido integral da palavra. Combina os profissionais já atuantes na BAR à sede de Pesquisa e Desenvolvimento da Honda em Tochigi, Japão, e à base de desenvolvimento de motores em Brackwell, Reino Unido. Com essa combinação de três estruturas a Honda Racing F1 Team detém o que há de melhor para conquistar suas metas, começando pelas vitórias que estão por vir com a dupla de pilotos Rubens Barrichello e Jenson Button.