Segunda-feira passada, o empresário Sergio Habib (foto), presidente da SHC, repre-sentante da marca chinesa no País, reuniu a imprensa especializada para confirmar que a JAC Motors construirá uma fábrica no Brasil, que lançará em 2014 uma linha de automóveis nacionais de porte compacto que custarão menos de R$ 40 mil.

O projeto não é novo. Sergio Habib possuía estudos sobre a fábrica há bastante tempo, mas preferiu esperar o momento certo para anunciar a nova planta nacional.

Até então, ele colocava como condição a “venda de no mínimo 100 mil carros por ano”.

Pois será essa a capacidade da fábrica, que gerará 3,5 mil empregos diretos e outros 10 mil indiretos. Além de abastecer o mercado interno, ela atenderá a outros países do continente como a Argentina.

Por ora, não há definição sobre quais modelos serão fabricados na nova unidade da JAC, e tampouco qual será o índice de nacionalização deles. Vale dizer, qual a porcentagem de peças e partes brasileiras usados nos carros.

Em tese, a nacionalização pode ir de zero (operação em CKD, ou seja, limitada localmente à montagem dos veículos) a 100%. Habib admitiu que, numa primeira fase, a JAC brasileira terá de importar os motores. Ainda assim, o índice deve ficar acima de 60%.

“Quando o negócio chega a 100 mil carros por ano não dá mais para depender do câmbio”, disse Habib, referindo-se às importações. O empresário afirmou que a unidade local da JAC sempre esteve em seus planos, mas que o projeto foi adiantado devido à aceitação dos carros da marca no Brasil.

No entanto, Habib faz mistério quanto ao local escolhido para erguer a fábrica. Diz que está negociando e que a decisão será anunciada em até quatro meses. A única dica foi revelar que será uma região onde existe uma infraestrutura de produção de veículos “para aproveitar a presença dos fornecedores”, explicou.

Em termos logísticos, a preferência da JAC deve ir para locais utilizados pela cadeia automotiva, como São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além de Bahia e Pernambuco.

Outros Estados com portos, como Paraná e Santa Catarina, também são possibilidades. A construção da fábrica será dividida entre o grupo SHC e a JAC e exigirá recursos da ordem de R$ 900 milhões. Até lá, a marca chinesa espera ter 3% de participação no mercado brasileiro, apenas com veículos importados.