Olhando sem atenção, os dois carros são iguais aos milhares de 1.0 das marcas que rodam por nossas estradas e ruas. A diferença visual está nas rodas e pneus (mais largos), num ou outro detalhe de decoração e no interior menos espartano. Mas sob o capô, o Ka 1.6 e o Celta 1.4 escondem nervosos motores que, se não reproduzem performances dos grandes esportivos, são capazes dar grande prazer aos que apreciam uma força extra, mas sem gastar muito dinheiro na compra de um carro.

Como diz meu amigo Wilson Libório, ótimo que toda unanimidade seja burra, ainda mais no mercado automotivo. Caso contrário, provavelmente estaríamos enfrentando congestionamentos até hoje, a bordo de valentes "fusquinhas" 1.200. Eram extremamente confiáveis e nos levavam a qualquer canto. Ou seja, a verdadeira função do automóvel.

Apesar do baixo poder aquisitivo do brasileiro alimentar um mercado comprador de carros populares impulsionados por motores 1.0 (uns melhores, outros nem tanto), existe quem se disponha a pagar um pouco mais para levar pra casa um automóvel mais "ligeirinho", isto é, capaz de enfrentar u?a ladeira mais íngreme sem ter que reduzir a marcha. E o Ford Ka 1.6 e Chevrolet Celta 1.4 encaixam-se perfeitamente nesse perfil.

Por terem nascido de projetos direcionados a "carros populares", nenhum dos dois tem acabamento impecável internamente. Nota-se a proposta de "populares" logo nos painéis de instrumentos: tanto no Ka como no Celta as montadoras tentam disfarçar a singeleza com apliques metálicos no console, bancos com revestimentos aveludados e pedais aluminizados. Mas é nítido o acabamento modesto, onde se encontra grande área recoberta por plásticos.

O Celta leva alguma vantagem em duas questões: mais adaptado para uma família, ele oferece carroceria de quatro portas e cinco lugares. Aliás, pouca gente percebe, mas o Ka só possui dois cintos de segurança no banco traseiro, o que limita sua capacidade para quatro pessoas. Isso sem contar a carroceria de duas portas, vigente desde seu lançamento, em 1997. Nesse ponto, os dois carros acabam se equilibrando.

A posição de dirigir nos dois modelos é agradável, oferecendo boa visibilidade e fácil leitura dos instrumentos do painel. Seus volantes possuem boa empunhadura. Enfim, o Ka 1.6 e o Celta 1.4 resgatam a nobre função e lacuna existente no mercado do carro compacto e esportivo.

OLHO CLÍNICO

O Ka Action é equipado com o ótimo motor Zetec RoCam 1.6, que rende 95 cv de potência e o transforma, por assim dizer, num legítimo compacto esportivo. Favorecido pelas relações curtas de marcha, além de uma carroceria leve (930 kg), o Kazinho enfrenta os "carrões" no trânsito com incrível destreza, sempre com desempenho acima da expectativa. Para se ter idéia de seu arrojo, o pequeno Ford acelera de 0 a 100 km/h em apenas 10,8 segundos e atinge 186 km/h (!!!) de máxima segundo dados da montadora.

Mas o "hatchback" da Chevrolet não demonstra tamanha desenvoltura, embora apronte algumas boas surpresas sob o pedal do acelerador. Criado sem a proposta esportiva, mas apenas a de um compacto mais veloz, ele apóia-se num propulsor de 1,4 litro com 85 cv de potência. Também "levinho" (834 kg), segundo a montadora acelera de 0 a 100 km/h em 12,3 segundos e chega aos 161 km/h.

Numa "tocada" mais rápida, o Ka comporta-se como um autêntico kart: pode-se frear "dentro" da curva, que a estabilidade fornecida pelo conjunto de suspensão garante a manobra com êxito. Isto desde que não se abuse demais do pedal da direita, claro. O Celta também não faz feio, mas leva uma certa desvantagem por não dispor de direção hidráulica nem como opcional, algo que não só o sacrifica no conforto, mas também na dirigibilidade esportiva. Qualquer carro com assistência possui uma relação de direção mais direta, isto é, esterça-se menos o volante para executar uma curva. Pra quem quer andar rápido no Celta, não pode se esquecer desse detalhe: maior esforço ao volante.

Por serem carros relativamente baratos (desde que não se abuse dos opcionais), eles não poderiam abrir mão do consumo atraente, vez que a proposta esportiva é explícita. Mas convém não sair gastando muito combustível por aí. E justamente por terem carrocerias pouco pesadas, não abrem mão de boas marcas de consumo: na média cidade/estrada, o Celta percorre 13,6 km/l de gasolina, enquanto o Ka faz 13 km/l de média.

O motorista interessado num "popular" de temperamento mais esportivo escolhe o Ka Action 1.6 (R$ 24.645,00 na versão básica). E quem quer andar bem, sem abrir mão do conforto e do espaço para a família, opta pelo Celta (R$ 2l.830,00 o 3p e R$ 23.140,00 o 5p). O Ka 1.6 e o Celta 1.4 são duas ótimas opções de mercado, sem dúvida. (BN)

FICHA TÉCNICA

FICHA TÉCNICA CELTA 1.4 x KA ACTION 1.6

Motores:

Cilindrada:

Potência

Torque:

Direção:

Câmbio:

Suspensão:

Freios:

Pneus:

Rodas:

Dimensões:

Peso:

Porta-malas:

Velocidade máxima:

Preço:

Fonte:

fabricantes/montadorasversões básicas – R$ 21.830,00 e R$ 24.645,00 161 km/h e 186 km/h 260 litros e 186 litros 834 kg e 930 kg comprimento – 3,75 m e 3,68 m; largura – 1,61 m e 1,63 m; altura – 1,34 m e 1,35 m; entreeixos – 2,44 m e 2,45 m 13 x 4,5 pol e 14 x 5,5 pol 165/70 R13 e 185/60 R14 em ambos, disco sólido na dianteira e tambor na traseira em ambos, dianteira independente, MacPherson, amortecedor, mola helicoidal e barra estabilizadora. Traseira semi-independente, eixo de torção, amortecedor e mola helicoidal. em ambos, manual, com cinco marchas, tração dianteira Mecânica e Hidráulica 1,8 mkgf e 14,2 kgfm a 3.000 rpm : 85 cv a 5.800 rpm e 95 cv a 5.500 rpm 1.389 cm3 e 1.596 cm3 em ambos, dianteiros, transversais, 4 cilindros em linha, 2 válvulas por cilindro