Quem diria… Logo após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Alemanha de Adolf Hitler e seus asseclas estava praticamente arrasada, sobretudo em função do intenso bombardeio imposto pelas forças dos países aliados.

Das fábricas de veículos da marca Volkswagen pouco restava a não ser destroços.

Na divisão do território alemão entre as quatro principais potências bélicas mundiais, a região onde essas fábricas se localizavam coube à Inglaterra.

De acordo com a história, os ingleses designaram então técnicos especializados no ramo para fazer uma avaliação da situação geral em que se encontravam as indústrias Volkswagen, com o objetivo de determinar se aquilo que havia restado poderia ser aproveitado para algum fim.

Tais técnicos verificaram tudo detalhadamente e deram parecer segundo o qual o Volkswagen não era realmente um automóvel, pois não atendia às especificações exigidas para tal na época.

Entenderam eles que o consumidor não se interessaria por um automóvel com a característica do Volks, em função da sua construção e do seu rendimento e que, portanto, o carro não teria sucesso se fosse comercializado.

Sua construção era muito rústica e seu motor barulhento. Caso a Inglaterra se interessasse em produzi-lo e vendê-lo, este processo não duraria mais que três anos.

Em consequência desse parecer técnico, os ingleses abriram mão das fábricas Volkswagem e devolveram-nas ao engenheiro alemão H. Nordhoff para que este fizesse o que achasse melhor com as ruínas, aconselhando-o a fabricar alguma coisa destinada à Inglaterra como forma de pagamento da dívida de guerra. E não é que o alemão fez mesmo!

Tanto é assim que, menos de vinte anos depois, a Inglaterra curtia duas situações desconfortáveis distintas: era cada vez menor o volume de suas vendas de carros pequenos em vários e tradicionais mercados consumidores, enquanto o espaço perdido nestes mercados era ocupado pelos automóveis Volkswagen num ritmo cada vez mais elevado, além do que, já em 1964, os Fuscas importados pelos ingleses somavam o expressivo número de 100.000 unidades.

É o tal negócio: desdenhou, dançou! E as vendas do Fusca não pararam por aí, pois o “besourinho” invadiu, entre outros, o mercado consumidor norte-americano, o principal do mundo, no qual os primeiros automóveis Volkswagem com motor de 1.500 cilindradas começaram a ser vendidos em 1965.

Pois é, o Fusca, que não tinha condições de ser um “automóvel”, era rústico, barulhento e feio, alcançou recordes de vendas e tornou-se lindo para os seus colecionadores no mundo todo.

Conforme dissemos recentemente, ele já serviu, total ou parcialmente, de matéria prima para tudo, só faltando alguém construir um foguete com o seu motor. Mas, será mesmo que não faltava mais nada? Faltava, pois, agora não falta mais.

Eis que o antigomobilista e micro empresário Antônio Darci Quell, proprietário de um Fusca 1966, que atua no ramo de comestíveis desde 1999 em Curitiba, acaba de lançar, para deleite de seus fregueses, o Pastel Fusca refrigerado a ar.

Ex-criador de abelhas e produtor de mel, ele sabe o que é bom para a tosse e decidiu criar o Pastel Fusca também, cujo esperado lançamento aconteceu por ocasião do Dia Nacional do Fusca, comemorado por mais de 800 donos de veículos Volkswagen a 25 de janeiro deste ano num movimentado encontro levado a efeito na área em frente ao Palácio Iguaçu, na capital paranaense, alusivo também à passagem dos 50 anos de história da marca no Brasil.

O pastel pode ter recheio de pizza, frango, banana, palmito, carne e queijo entre outros ingredientes e o detalhe principal é seu formato semelhante à carroçaria do Fusca. Quem quiser, pode experimenta-lo nas reuniões de antigomobilistas na Praça Afonso Botelho, em frente ao estádio do Clube Atlético Paranaense.