A PSA Peugeot Citroën iniciou na semana passada a produção do novo compacto 208 na fábrica de Porto Real (RJ). O modelo passou por reformulações internas e externas e será lançado na próxima semana.

A principal novidade é o motor 1.2 de três cilindros, de 90 cavalos e 12,9 kgfm, da família Pure Tech. Segundo a empresa, ele é 20% mais econômico e mais eficiente que o atual 1.5 de quatro cilindros, de 93 cv e 14,2 kgfm, que equipa as configurações de entrada do modelo no Brasil e que será aposentado. Já o 1.6, de até 122 cv, continuará sob o capô das versões mais caras.

Dados da Peugeot, em testes do Inmetro, apontam que o consumo com gasolina será de 15,1 km/l na cidade e 16,9 km/l na estrada. Com etanol, os números são de 10,9 km/l em ciclo urbano e 11,7 km/l em ciclo rodoviário.

O bloco 1.2 do 208 levaria vantagem sobre o up! TSI , por exemplo, o modelo mais econômico do país, com exceção dos híbridos. O consumo do subcompacto da Volkswagen é de 9,6/ 13,8 km/l na cidade (e/g) e 11,1/ 16,1 km/l (e/g) na estrada.

O novo motor Pure Tech tem variações de cilindrada na Europa: 1.0 aspirado de 68 cv, 1.2 aspirado de 82 cv e 1.2 turbo, de 110 cv ou 130 cv, todos de três cilindros. Por lá, além do 208, ele também está disponível no 308 e no 2008.

Importado

O propulsor flex será importado da França, estratégia incomum nessa faixa de segmento. Segundo o presidente do grupo no Brasil e América Latina, Carlos Gomes, a forte desaceleração no mercado de veículos não justifica a produção local do motor, mesmo com o câmbio desfavorável às importações.

“Precisa de volume de 80 mil a 100 mil unidades por ano para ser viável produzir localmente”, diz.

O motor foi desenvolvido nos últimos três anos por engenheiros brasileiros e franceses. Na parte que coube ao Brasil no projeto do motor e das adaptações ao modelo, similar ao lançado na Europa há seis meses, a PSA investiu R$ 200 milhões, valor que integra o plano de aportes de R$ 3,7 bilhões do grupo iniciado em 2011 e encerrado em 2015.

Gomes não revela quanto seria necessário para a produção local do novo motor. Ressalta também que o grupo não tem, no momento, a definição de um novo plano de investimentos.

No ano passado, as vendas da PSA no Brasil caíram 38,3% em relação a 2014, num mercado que encolheu 25,6%, para 2,4 milhões de automóveis. A previsão de Gomes para este ano, tendo como base os resultados do primeiro trimestre, é de que as vendas no segmento fiquem abaixo de 2 milhões de unidades.

Ele ressalta, contudo, que mudanças podem ocorrer num curto espaço de tempo. “Vejam o exemplo da Argentina, que se apresenta como um país cheio de expectativa e está atraindo investidores; creio que o Brasil tem condições de fazer esse trabalho.”

Lucro

O Brasil foi o único país na região onde a PSA registrou prejuízo em 2015. Compensado pelo crescimento dos demais mercados, o grupo teve lucro na América Latina pela primeira vez.

Para Gomes, com novos produtos, as marcas Peugeot e Citroën vão voltar a ganhar espaço no mercado doméstico, além de recuperar exportações. Em 2015, o grupo já havia investido R$ 150 milhões no início da produção do Citroën Aircross e R$ 400 milhões no Peugeot 2008.

O preço do novo Peugeot 208 será divulgado nesta semana, mas a expectativa é de que não haja mudança significativa em relação ao atual, que parte de R$ 48 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.