Ainda que recente e com detalhes do incentivo em discussão, o anúncio sobre a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) mostrou que não pretende alavancar vendas para movimentar a economia, como foi necessário entre dezembro de 2008 e março de 2010, devido à crise internacional que atingiu o Brasil.

De acordo com o que foi anunciado pela medida provisória do Governo Federal, a indústria automobilística será favorecida até julho de 2016, mas com outro objetivo.

O beneficio vale para as montadoras instaladas no Brasil que se comprometerem em ampliar os investimentos e incentivar a produção nacional, a fim de melhorar a competitividade em relação aos importados, principalmente os coreanos e chineses.

Explica Luís Antonio Sebben, diretor-geral da Fenabrave-PR (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores – Regional Paraná), que o consumidor não irá sentir a redução diretamente em seu bolso na hora de comprar o veículo zero quilômetro.

“O não pagamento do tributo pelas montadoras será revertido em prol de tecnologia e gestão financeira, e não no repasse desse desconto para a rede de concessionárias, o que manterá tudo como está hoje.”

“Por isso, aqueles clientes que estão imaginando aguardar a diminuição do valor do veículo, devem repensar seus planos e aproveitar que as concessionárias de veículos estão na melhor fase do ano em relação a promoções e planos de financiamentos”, afirma Sebben.

Com a medida, imagina Sebben, que em médio prazo os veículos nacionais se tornarão mais competitivos em relação aos importados, “mas não é possível dizer ainda que isso ocorrerá, principalmente em relação a preços finais”, diz. 

Sobre a redução

O IPI será zerado até 31 de julho de 2016 para fabricantes de tratores, ônibus, micro-ônibus, automóveis de passeio, caminhões e comerciais leves. A medida faz parte do programa Brasil Maior, política industrial da administração da presidente Dilma Rousseff.

O objetivo é estimular a competitividade e um maior número de componentes nacional nos veículos fabricados no Brasil. Os carros importados não serão beneficiados.

E não está definido o prazo para a publicação do decreto que irá trazer as regras do programa, percentual e alíquotas. Em moldes diversos do que foi realizado em 2008, a nova redução do IPI não deverá beneficiar diretamente o consumidor.