Um artigo em um dos maiores jornais da Noruega atacou Israel e o judaísmo, além de afirmar que Israel perdeu o direito de existir na sua forma atual. O artigo saiu no último sábado, segundo o jornal israelense Haaretz.

Intitulado de "Povo escolhido por Deus", o artigo de Jostein Gaarder publicado di Aftenposten vem causando rebuliço na Noruega. Gaarder, autor de "O mundo de Sofia", faz uma relação entre os atos do exército de Israel no Líbano e a história judaica, e prevê um desmantelamento do Estado judeu como ele existe atualmente.

Em entrevista ao jornal israelense Haaretz, Gaarder disse ter sido mal interpretado. "Assim como John Kennedy declarou ‘sou um berlinense’, digo agora ‘sou um judeu’", afirmou. O artigo compara o governo de Israel, o regime Taleban no Afeganistão e o apartheid na África do Sul. "Nós não reconhecemos mais o Estado de Israel", e "o Estado de Israel em sua forma atual é história".

"Chamamos assassinos de crianças de assassinos de crianças, e não iremos aceitar que eles tenham um mandato divino ou histórico que justifique suas barbáries", escreveu. "Limpeza étnica é condenável, atos terroristas contra civis são condenáveis, sejam eles realizados pelo Hamas ou por Israel!

Gaarder se refere diversas vezes ao papel que o judaísmo exerce nas aspirações territoriais de Israel, escrevendo que "não acreditamos na noção povo escolhido por Deus. Rimos das fantasias dessa nação e choramos pela seus atos errados."

"É o Estado de Israel que falha para reconhecer e respeitar o estado de Israel das leis internacionais de 1948. Israel quer mais; mais água e mais cidades. Para conseguir isso, há aqueles que querem, com a ajuda de Deus, uma solução final para o problema palestino.

O artigo gerou diversos comentários e debates calorosos na mídia norueguesa. O artigo também gerou um debate sobre as supostas tendências de anti-semitismo do autor e o seu direito de criticar Israel.

A jornalista e crítica de música judia, Mona Levin, falou em público contra Gaarder e disse estar chocada com o silêncio do governo. Ela atacou o gabinete denunciando o que ela descreveu como "a coisa mais medonha" que ela leu desde Mein Kampf, livro de Adolf Hitler. "Estamos lidando com um homem ignorante, cheio de ódio, que ridiculariza o judaísmo", afirmou Mona em entrevista da cidade de Oslo ao Haaretz. "Esse é um clássico manifesto anti-semita, que nem pode se disfarçar como uma crítica a Israel", afirmou a professora Dina Porat, chefe do Instituto para Estudos Contemporâneos sobre Anti-semitismo e Racismo da Universidade de Tel-Aviv.

"O autor não coloca o conflito em seu contexto atual, mas volta a milhares de anos para afirmar que os judeus têm traços de crueldade que permanecem inalterados e se apresentam na guerra atual", diz a professora.

Porat afirma que, de acordo com a União Européia, negar o direito de Israel existir – argumentando que a sua existência é racista – é uma declaração anti-semita. Ela também encontrou no texto de Gaarder o uso de símbolos clássicos do anti-semitismo, como o infanticídio."Eu estou no comando do instituto há 15 anos e não é todos os dias que leio um material com conteúdo tão radical.

Gaarder escreve, entre outras coisas, que "não acreditamos que Israel lamenta a morte de 40 crianças libanesas mais do ele lamentou por mais de 3 mil anos, ter passado 40 anos no deserto". O norueguês escreveu também que os primeiros terroristas sionistas começaram a agir nos tempos de Jesus.

Ao falar com o Haaretz na terça-feira, um dia antes de parar de falar com a mídia, Gaarder disse que ele foi mal interpretado e que é amigo dos judeus. "Acho que o que o Hezbollah está fazendo é terrível", afirmou, e completou dizendo que ele apóia o direito dos judeus de existirem, assim como Israel como terra natal dos judeus desde 1948.

Jostein Gaarder se recusou a se retratar publicamente. Recentemente sinagogas têm sido atacadas na Noruega.