Às vésperas do início do plantio da safra agrícola 2004/2005, autoridades federais e estaduais, parlamentares e representantes de todos os segmentos da cadeia do agronégocio brasileiro se reuniram hoje na Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento da Rural da Câmara dos Deputados. Os objetivos da reunião foram alertar o governo sobre o risco de colapso no setor, reivindicar novas medidas e pressionar a área econômica para ampliar a oferta de crédito para o plantio e comercialização da safra.

Convocada para debater os problemas gerados pela forte alta dos insumos agrícolas e redução da renda no campo, a audiência pública mostrou que, apesar do esforço que vem sendo feito pelo governo federal, o ?carro chefe? da economia brasileira continua com pouco crédito para a compra de insumos e sementes; carece de infra-estrutura para o armazenamento e escoamento da produção e está entrando em processo de endividamento.

O governador de Goiás, Marconi Perillo, disse que o agronegócio corre o risco de sofrer um ?apagão logístico?, caso o governo federal não flexibilize as regras de importação de insumos básicos e não invista maciçamente em infra-estrutura para o escoamento da safra. ?O setor agrícola tem carregado a economia brasileira nas costas e não pode correr o risco de queda de produção e de comercialização?, ressaltou.

Segundo o presidente da Comissão, deputado Leonardo Vilela, a lenta liberação dos créditos de custeio, os juros elevados e a queda de preços dos principais produtos agropecuários estão ?aumentando perigosamente? o nível de endividamento dos produtores e ameaça provocar uma queda abrupta na safra 2004/2005. Ele criticou a atual política econômica do governo, que ?quer acumular superávit primário a qualquer custo, inclusive sacrificando áreas estratégicas como os investimentos na agropecuária?.