São Paulo (AE) – A expectativa de que a Telecom Italia está próxima de comprar a Brasil Telecom causou euforia hoje (23) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis da holding, com direito a voto, fecharam com alta de 11,75% e os sem direito a voto tiveram ganho de 7,03%. Já as ações ordinárias da operadora avançaram 11,75% e as preferenciais, 11 76%. Um acordo entre a Telecom Italia, os fundos de pensão e o Citigroup encerraria uma briga societária que se arrasta há cinco anos.

Desde segunda-feira, fundos e Citigroup, de um lado, e a Telecom Italia, do outro, estão reunidos fora do País tentando definir um acordo para que os italianos comprem a participação dos demais sócios. O encontro começou em Londres e os comentários são de que seguiria para Milão no fim de semana. A melhora no diálogo entre os grupos não é tão recente e, desde o começo do mês, os encontros estão freqüentes.

Esteve na mesa de negociações uma proposta de aquisição, pela Telecom Italia, de toda a participação do Citi e mais 30% da fatia dos fundos na empresa, com pagamento à vista, e o restante no futuro. Entretanto, por envolver algumas condições, como a não realização da assembléia agendada para sexta-feira da próxima semana, dia 30, este acordo ainda não foi concluído. Desde segunda-feira, os sócios buscam outra modelagem. É bastante possível que seja mantida uma estrutura em que as fundações não vendam, de imediato, tudo o que possuem.

A Telecom Italia negou que a compra tenha sido fechada, mas preferiu não comentar a negociação. Em Brasília, o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Elifas Gurgel do Amaral, disse que não teve nenhuma informação, oficial ou extra-oficial, sobre a negociação. Ele acrescentou que a legislação exige, no caso de mudança de controle acionário anuência prévia da Anatel.

Somente hoje os investidores somaram as informações sobre as negociações com a captação de US$ 2,5 bilhões que a Telecom Itália fez no mercado internacional, há quatro dias. O valor captado ficaria bastante próximo do necessário pelo grupo estrangeiro para adquirir a participação do Citi, toda a parte dos fundos de pensão e ainda pagar os minoritários. Isso levando-se em conta os preços de referência do acordo entre as fundações e o banco. Segundo os italianos, o objetivo dos bônus lançados é melhorar o perfil da dívida.

Quando os fundos de pensão e o Citigroup divulgaram a maior parte dos acordos firmados entre eles em março, veio a público a informação de que a Telecom Italia tem um benefício de não ter que pagar a parte dos fundos neste momento. As fundações aceitam fechar um compromisso de compra em seu favor, com exercício em cinco anos, por meio do qual fica garantida a saída da estrutura pelo mesmo preço pago ao Citi.

O aumento das apostas dos investidores deve-se também à proximidade da assembléia em que os fundos de pensão e o Citigroup devem retirar definitivamente Daniel Dantas da gestão da empresa. O encontro está marcado, há um mês, para o dia 30. No encontro, a atitude em relação aos conselheiros será um indicativo forte de como andam as tratativas com os italianos. As informações são de que André Urani e Carlos Alberto Siqueira Castro devem ficar com dois postos no conselho de administração, como representantes independentes. Mas, por enquanto, as fundações não admitem que isto já esteja acertado.

É válido lembrar que a aproximação entre os fundos de pensão e os italianos ocorreu com as negociações para o conselho da Solpart, controladora direta da Brasil Telecom Participações. Até então havia divergências sobre como deveria ficar a representação da Telecom Italia no conselho de administração, uma vez que os fundos e o Citi não reconhecem o acordo fechado entre os italianos e o Opportunity, em abril deste ano, para encerramento dos litígios. (Colaborou: Gerusa Marques)