O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), criticou, nesta quarta-feira, o que chamou de "evolução distorcida dos trabalhos nas comissões de inquérito instaladas no Congresso" para dizer que é "essencial diferenciar os fatos".

Em nota, Azeredo sustentou que o esquema de financiamento de candidaturas que apoiavam a tentativa dele de reeleição para governador – montado em 1998 pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza – não guarda "qualquer semelhança com as denúncias de ‘mensalão’ ou de corrupção na máquina pública (Correios, IRB-Brasil )que acometem a gestão do PT no governo federal".

No comunicado, ele "repudia as manobras para encobrir o que vem acontecendo no País desde que surgiram denúncias contra o PT".

"Trata-se, claramente, de uma estratégia armada para confundir a opinião pública com declarações, desculpas e desmentidos seguidos, que apenas prejudicam o objetivo das comissões inquérito", afirmou.

Segundo Azeredo, os valores envolvidos nos dois casos, "pela diferença proporcional, são, por si, provas de que as questões são absolutamente diferentes".

Conforme o presidente nacional do PSDB, o R$ 1,8 milhão repassado "aos apoiadores da campanha de 1998 – semelhante ao que acontece em todas as disputas eleitorais realizadas no País – são, infinitamente, menores que os propalados R$ 55 milhões repassados ao PT".

A lista do chamado "mensalinho", com 79 depósitos e nomes de supostos beneficiários, foi apresentada, nesta terça-feira, por Valério durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão. Azeredo afirma que a responsabilidade pelas transferências é do ex-tesoureiro da coligação e ex-secretário de Administração de Minas Gerais na gestão dele, Cláudio Mourão.

Empréstimo

Durante o depoimento à CPI, Valério disse que o presidente nacional tucano sabia do empréstimo contraído pela agência de publicidade DNA Propaganda – da qual o empresário é sócio – no Banco Rural, no valor de R$ 9 milhões, para financiar candidaturas da coligação liderada pelo partido. Hoje, porém, Azeredo reiterou que desconhecia e "não autorizou ou avalizou tal empréstimo".

"A operação também não teve aval de membros do governo estadual ou do PSDB. O aval foi dado por sócios da própria empresa, conforme documento entregue à CPMI. Portanto, trata-se de uma operação restrita à agência e ao banco", destacou.

Segundo o presidente do PSDB, num Estado do tamanho de Minas Gerais, "é impossível que o governador, em disputa pela reeleição, possa cuidar de ações administrativo-financeiras da campanha". "Os pagamentos são feitos por uma coordenação, conforme atesta em carta de próprio punho o coordenador financeiro (Mourão) da campanha de 1998."

De acordo com Azeredo, como a operação envolveu, exclusivamente, uma empresa e um banco, a cobrança, feita judicialmente, também envolveu apenas essas duas partes.