Os números de outubro mostram um desempenho favorável da produção industrial, segundo avalia o coordenador de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Silvio Sales. Segundo ele, os crescimentos da produção ante setembro (0,8%) e ante outubro do ano passado (4,8%) possivelmente estão relacionados ao aumento das encomendas de final de ano à indústria, que se reflete sobretudo nos bens de consumo finais.

Além disso, ele observou que a avaliação dos dados de produção em conjunto com os resultados das vendas industriais de outubro, divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), possivelmente mostram que o setor não está acumulando estoques. Segundo Sales, esse cenário dos estoques, aliado ao aquecimento natural da demanda do final do ano, inflação sob controle e crescimento da renda e da ocupação favorece o desempenho industrial neste último trimestre. "O conjunto geral de indicadores econômicos favorece o desempenho industrial", disse.

Segundo Sales, se permanecer o quadro de baixos estoques, a indústria iniciará o ano que vem mais aquecida, ao contrário do que ocorre quando os estoques estão elevados, o que costuma adiar o aumento mais forte da produção para o mês de março.

Para o coordenador de indústria, os resultados de 2006 até outubro – a produção registrou alta acumulada no período de 2,9% – mostram que "permanece um sinal contínuo de discreto, moderado crescimento na margem". Sales acrescentou que "é muito discreto esse aumento (da produção) ao longo de 2006".

O padrão de comportamento da indústria, de resultados de "sobe e desce" na produção ao longo deste ano, indica que o índice de média móvel trimestral é o mais adequado para avaliar a tendência para o setor, segundo o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales.

De acordo com ele, o indicador de média móvel mostra um crescimento acumulado de 1,5% na produção industrial entre o trimestre encerrado em abril deste ano e o terminado em outubro, expansão que considera "muito discreta". No trimestre encerrado em outubro, o índice de média móvel cresceu 0,1% ante o terminado em setembro.

PIB

A queda de 1,6% na produção de bens de capital em outubro ante setembro não mostra, pelo menos por enquanto, uma reversão da tendência de crescimento dos investimentos apontada nos resultados do PIB do terceiro trimestre, segundo Sales. "É preciso esperar novas informações para checar se há alguma mudança na tendência de crescimento dos investimentos no PIB", disse.

Segundo ele, em outubro, o comportamento da produção de bens de capital em relação a outubro do ano passado foi positivo (aumento de 9,3%) e se espalhou por dentro de grande parte dos subsetores. Houve aumento em bens de capital para uso misto (20 8%, incluindo computadores), para fins industriais (24,3%, mostrando investimentos na própria indústria) e para energia elétrica (11,6%). Os destaques negativos foram bens de capital (-13,1%) e transporte (-4,1%).

Além disso, os resultados do PIB do terceiro trimestre mostraram que grande parte do aumento dos investimentos ocorreu via importação e, segundo Sales, o palpite é que grande parte dos bens de capital importados vá para a indústria. Segundo dados apresentados por Sales e já divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, as importações de bens de capital cresceram 39 1% em outubro ante igual mês do ano passado.