A desvalorização do real terá forte impacto nos balanços das empresas de energia elétrica referente ao terceiro trimestre, que serão apresentados nas próximas semanas. As companhias mais prejudicadas serão as que têm elevado grau de endividamento em moeda estrangeira, segundo levantamento realizado pelo BBA.

A Eletropaulo, por exemplo, deverá apresentar um prejuízo de cerca de R$ 390 milhões ante o lucro líquido de R$ 29 milhões no mesmo período do ano passado. Cerca de 80% das dívidas da empresa, ou R$ 2,2 bilhões, estão em moeda estrangeira, conforme dados da Austin Asis. Até junho, mais de 86% desse montante estava protegido contra a alta do dólar.

Os resultados da Companhia Paranaense de Energia (Copel) também deverão ser impactados negativamente, com prejuízo de R$ 97 milhões no trimestre ante o lucro líquido de R$ 21 milhões do ano passado. Apesar de ter baixo índice de endividamento, a empresa tem uma elevada participação de dívida estrangeira (62%)  o que determina exposição às variações do câmbio.

A Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), que no segundo trimestre deste ano havia apresentado lucro de R$ 11 milhões, agora deverá registrar prejuízo superior a R$ 100 milhões, de acordo com o levantamento. Outra empresa, cujo impacto do câmbio deverá depreciar os números do balanço do terceiro trimestre, é a Cemig. A companhia de Minas Gerais tem também uma grande participação de dívida estrangeira (53,5%) no seu passivo. Segundo levantamento, o prejuízo da empresa esta estimado em R$ 109 milhões.

A Eletrobrás, no entanto, deverá registrar ganhos expressivos. Isso porque, afirma o analista da instituição, Marcos Severine, a estatal tem valores a receber referente empréstimos em dólar. A dívida de Itaipu com a empresa  por exemplo, soma quase US$ 7 bilhões. Segundo o levantamento, o lucro líquido da empresa, se não houver nenhum provisionamento  deverá representar um aumento 145%, em relação ao mesmo período do ano passado, subindo de R$ 1,1 bilhão para R$ 2,9 bilhões.