O relatório trimestral de inflação do Banco Central (BC), divulgado hoje, mostrou que a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em pequena alta nos cenários de referência – tanto para 2006, quanto para 2007 – e queda naquelas relativas aos cenários de mercado

Nos cenários de referência do BC (taxa Selic a 15,25% e câmbio a R$ 2,30 por dólar), a previsão de inflação para este ano subiu ligeiramente de 3,7% para 3,8% e, para 2007, elevou-se de 3,9% para 4,2%. Em ambos os casos, apesar do aumento, as estimativas mantiveram-se abaixo da meta central de 4,5%. No caso da projeção de 2007, o incremento nas previsões de variação dos preços livres e o recuo da Selic responderam pela alta

Nos cenários de mercado (que considera as expectativas de mercado para as taxas de juros e de câmbio), a projeção de IPCA para 2006 recuou de 4,6% para 4,3% (agora abaixo da meta de 4 5%), enquanto que, para 2007, caiu de 5,4% para 5,2% (esta última, apesar da queda, se mantém acima da meta central de 4 5%)

Segundo o BC, a probabilidade de a inflação estourar a meta de 4 5% neste ano é de 4%. Em março, essa chance estava estimada em 9%. Pelo cenário de mercado, a queda na previsão de IPCA em relação ao relatório anterior, "implicou redução da probabilidade de descumprimento da meta de inflação para 2006, que passou de 18% para 8%"

As maiores mudanças em relação ao relatório anterior (de maio) ocorreram no cenário externo, destaca o documento, "com aumento substancial na volatilidade observada nos mercados financeiros internacionais, em função da maior incerteza em relação à política monetária no G3 (EUA, área do euro e Japão). E, nesse ponto, o documento do BC traz idêntica análise à do Comitê de Política Monetária (Copom), já publicada em atas: tal instabilidade não configura quadro de crise, deve ser transitória e a economia brasileira tem fundamentos sólidos para resistir

Entretanto, se houver exacerbação dos riscos, a estratégia de política monetária será "prontamente adequada às circunstâncias". Preços de petróleo são outra fonte de preocupação (isso também foi citado em ata). E o relatório, como as atas, ressalta que o efeito do ciclo de afrouxamento monetário ainda não foi completamente captado pela economia