O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, destacou hoje (17), em almoço com banqueiros que não cabe à instituição "ser criativa" em sua missão básica, que é fazer a inflação convergir para as metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

"Eu vejo um debate intenso sobre isso. Ocorre que o papel fundamental de qualquer BC do mundo é esse", afirmou Meirelles. Ele lembrou que, no contexto de um regime de metas de inflação, a coordenação das expectativas é fundamental para o êxito na redução do custo da desinflação e das taxas de juros de longo prazo.

Ele ressaltou vários indicadores de manutenção da recuperação econômica observada especialmente a partir do fim de 2005, entre os quais os relacionados à demanda agregada. "Gostaria de chamar a atenção para dois pontos: a produção agrícola, que teve impacto importante no PIB em 2005, mas sobre o qual a política monetária não age, e a questão dos estoques. Houve um ajuste importante de estoques que a indústria está finalizando. O que vemos hoje é a recomposição importante desses estoques."

O presidente do BC também destacou como sinais relevantes desse processo de recuperação e sustentabilidade do crescimento econômico os chamados indicadores antecedentes. Citou a retomada da curva positiva dos números de produção e vendas da Anfavea (veículos), assim como da produção de papel ondulado, e a estimativa, ainda que inicial, positiva para a safra agrícola. "Temos um País hoje pronto para crescer de maneira sustentável, de acordo com a sua capacidade e seus limites estruturais de oferta?, afirmou.

Para Meirelles, o grande desafio daqui em diante é justamente crescer a taxas mais elevadas que as atuais. Ele defendeu que a discussão e o debate não devem estar centrados em fatores como juros ou a meta de inflação, que, na sua opinião, não são causas, mas conseqüências da realidade econômica brasileira. "Está na hora de superarmos esse debate para passarmos a discutir o que realmente interessa, que são os limites estruturais da nossa economia para o crescimento maior."

Indagado sobre o ciclo de aperto monetário em algumas das principais economias desenvolvidas do mundo, Meirelles afirmou que isso ainda não representa uma ameaça para o Brasil, na medida em que ainda há muito espaço para as taxas de juros internacionais se movimentarem antes de se entrar em uma região "de problema".

"O que aconteceu é que saímos de um ambiente de ameaça de deflação em alguns desses países e estamos entrando em um período de normalidade. Não estamos ainda em fase de anormalidade", afirmou, acrescentando que ainda há muito espaço, mesmo nesse cenário, para a melhora do prêmio de risco associado à inflação no Brasil.

O presidente do BC enfatizou que, de qualquer forma, os reais impactos só poderão ser medidos com mais precisão quando estiverem mais claros o quão prolongados e intensos serão esses movimentos externos.