O Tesouro Nacional deve continuar neste ano o programa de recompra de títulos da dívida externa pública iniciado em 2006. O secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, informou que o governo está avaliando a possibilidade de inclusão de algumas mudanças na estratégia de recompra. Pelos cálculos do Tesouro, o programa permitiu uma redução de cerca de 15% na necessidade anual de pagamento da dívida até 2012.

?O programa foi um sucesso e ajudou a reduzir a vulnerabilidade externa e a elevar as reservas internacionais e o superávit em conta corrente?, disse Valle. Para ele, essa combinação de fatores favoráveis para a economia brasileira foi decisiva para a redução do risco país a um nível inferior a 200 pontos.

O governo recomprou em 2006 cerca de US$ 6 bilhões em títulos com vencimento de curto prazo. Somente em 2007 a necessidade de financiamento caiu pela metade, de US$ 12 bilhões para US$ 6 bilhões.

Essa projeção leva em conta também, além da recompra dos títulos as compras de dólares no mercado interno para o pagamento de dívidas que vencem no primeiro semestre deste ano (cerca de US$ 3,4 bilhões) e recursos de organismos internacionais já programados que entrarão nas reservas internacionais.

O governo também recomprou os cerca de US$ 6,5 bilhões de títulos bradies remanescentes no mercado internacional. ?A vulnerabilidade externa é hoje um problema resolvido?, disse Valle.

Na sua avaliação, o governo conseguiu aproveitar o momento favorável no mercado externo para reduzir a necessidade de financiamento em dólares. Ele admitiu, no entanto, que há uma carência de ativos no mercado externo e esse contexto torna mais difícil a recompra, já que os investidores não querem se desfazer dos papéis brasileiros e pedem prêmios mais altos para fazê-lo.

A estratégia de administração da dívida externa deverá ser divulgada na próxima semana com o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2007. O documento traz as metas que serão perseguidas ao longo do ano para os principais indicadores da dívida interna e externa. A previsão do Tesouro é de que até o fim do primeiro semestre deste ano a participação de títulos prefixados no total da dívida interna supere a parcela atrelada à taxa Selic.

Em 2006, a participação de títulos corrigidos pela Selic, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), fechou num nível inferior a 38%, abaixo inclusive do piso da meta, que variava entre 39% e 48%. Os prefixados, por sua vez, ficaram em torno de 36% do total da dívida. Já os vinculados a índices de preços fecharam o ano em cerca de 22%. ?A parcela prefixada e de índice de preços superou a de títulos atrelados à taxa Selic, que está deixando de ser o principal título de financiamento da dívida?, destacou Valle.

Para 2007, segundo ele, a prioridade na estratégia de financiamento será o alongamento dos prazos de vencimentos da dívida com títulos prefixados. O processo de queda dos juros, disse ele, ajudará nesse trabalho.