O presidente Lula abreviou sua viagem à região do Caribe e está de volta ao País depois de encontros com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e dirigentes da Guiana e Suriname. Lula foi a esses países em busca de apoio à pretensão brasileira de ocupar um assento no Conselho de Segurança da ONU. Daí, a idéia-força de organizar uma comunidade de países sul-americanos, na qual o Brasil naturalmente teria posição de destaque.

Lula antecipou o retorno premido pelo assassinato da freira Dorothy Stang, no Pará, porque sua presença, como chefe de Estado e comandante supremo das Forças Armadas, transfere à sociedade – num momento de tamanha expectativa quanto este -, a impressão de que o comando está nas mãos do próprio presidente da República.

A força moral que o presidente deve inspirar e a magnitude de sua responsabilidade institucional são elementos de peso na exigência da célere execução da tarefa de localizar e prender os suspeitos do hediondo crime. É questão de honra para o governo mostrar à sociedade que não se deixará intimidar por quaisquer tipos de provocações e afrontas a ele infligidas pela parte podre da sociedade.

Dispositivos da estrutura de segurança do governo, homens do Exército e da Polícia Federal passaram a reforçar a atuação do aparato policial na região de Anapu, na chamada Terra do Meio, onde irmã Dorothy foi morta na madrugada de sábado. O governo instituiu uma força-tarefa para multiplicar o esforço da polícia paraense e resolver o assunto sem demora.

O crime foi por demais revoltante e emblemático das amarras que dificultam o avanço do governo na questão da distribuição da terra. Com recorrência metódica, o braço armado da grilagem e do esbulho às leis ataca sem piedade. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), há uma lista de 140 pessoas de todo o País marcadas para morrer por seu envolvimento na luta pela posse da terra.

Nessa fatídica relação, o nome de Dorothy aparece duas vezes, por ter sido jurada em lugares diferentes. Bispos, padres e agentes pastorais, além de líderes de trabalhadores rurais, também receberam o beijo de Judas.