A edição de ontem do diário londrino The Independent publicou matéria sobre o desempenho recente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando, entre outros comentários favoráveis, que o mandatário brasileiro sobreviveu aos escândalos da corrupção e voltou a liderar as pesquisas de intenção eleitoral.

O reconhecimento da realidade, partindo de pontos de observação bem postados no panorama internacional, sobretudo quando perfilhados por um jornal dessa importância nos meios formadores de opinião, necessariamente, deve ser levado em consideração.

Decerto a análise do jornal inglês baseou-se em informações fidedignas recolhidas em contatos com várias fontes, confirmando a percepção interna crescente quanto à resistência pessoal de Lula no enfrentamento do processo de corrosão do patrimônio ético de seu partido.

Embora o relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), tenha reiterado que Lula deverá ser citado no relatório final, jamais houve a comprovação de qualquer indício de envolvimento do presidente da República nos desvios praticados por políticos de seu círculo pessoal.

Na verdade, a impressão quase estratificada da plena recuperação da força eleitoral de Lula ficara evidente na longa entrevista publicada na presente edição da mais criteriosa revista de economia do mundo – The Economist – na qual ele fala com desenvoltura de seus projetos para o último ano de mandato, embora não se declare abertamente candidato à reeleição.

?Ainda não comecei a discutir a reeleição?, disse Lula aos entrevistadores britânicos, demonstrando a segurança proverbial dos que parecem ter nas mãos o controle da situação. ?Vamos tentar uma aliança e fazer uma coalizão com todos os partidos que quiserem?, reiterou, motivado pela convicção que a maioria dos partidos está mesmo a fim de refazer a coligação de 2002.

Publicada pelo jornal Valor Econômico desse final de semana, a entrevista de Lula constituiu a peça mais relevante da conceituação instigada pelo ano eleitoral e a vilegiatura do presidente através do País. Lula destilou confiança em novas reformas e mais crescimento econômico num possível segundo mandato, afirmando que haverá investimentos pesados em educação, treinamento e, especialmente, em ciência e tecnologia. Um belo discurso…