O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, esclareceu que a suspensão das fiscalizações contra o trabalho escravo em Unaí (MG), em conseqüência da morte de três fiscais e de um motorista do Ministério do Trabalho, é uma medida temporária. Segundo o ministro, a pausa nas investigações será mantida até que as condições de trabalho e segurança dos fiscais na região seja garantida. “Foi apenas momentaneamente desativada para que nós possamos reforçá-la e realizar uma grande operação especialmente na região de Unaí e Paracatu, onde houve o crime, para deixar claro que não haverá impunidade e que esse tipo ação não intimida o Estado”, explicou Berzoini.

A subdelegada regional do Trabalho, Dália Ulhoa, que trabalhou na região de Unaí com o fiscal Nelson José da Silva, admitiu que os fiscais estão abalados com a morte dos colegas. “Isso não significa que vai parar os trabalhos do Ministério do Trabalho. Houve um novo concurso que já tem até vagas para aumentar o quadro de fiscais”, informou.

Ela rebateu as especulações de que o fiscal Nelson da Silva estava recebendo ameaças de fazendeiros dias antes de ser morto em Unaí. “No período estava tudo muito tranqüilo. Essas ameaças foram há muito tempo. Todo trabalho vai continuar. Eu não tenho desconfiança nenhuma, não tenho nenhuma suspeita”, disse.

A idéia de aumentar o número de fiscais em Minas Gerais, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante culto ecumênico em memória dos mortos na tarde de hoje, é compartilhada, com ressalvas, pelo ministro Ricardo Berzoini. Na avaliação do ministro, mais importante que a quantidade é a ampliação da estrutura para que os fiscais possam trabalhar. “A quantidade é importante, e o presidente declarou publicamente o seu compromisso com essa ampliação da estrutura. Mas mais do que isso, é importante ter a coordenação clara especialmente em relação à região, mas em relação a todo o Brasil”, disse.

Berzoini citou como exemplo uma ação realizada ontem pela Polícia Federal no Pará, quando 38 trabalhadores escravos foram libertados. “Nós vamos reforçar o trabalho de fiscalização e não apenas em relação ao trabalho escravo, mas também ao trabalho em condições de ausência de dignidade e de falta de cumprimento da lei”, garantiu.

O ministro informou que até o final desta semana o governo vai enviar à Câmara dos Deputados o projeto de lei com o valor das indenizações que serão pagas aos familiares dos fiscais João Batista Lage, Erastótenes Gonçalves, Nelson José da Silva e do motorista Ailton Pereira da Silva. A iniciativa de indenizar os familiares até que os filhos dos fiscais ingressem na universidade foi do próprio presidente Lula.